domingo, 5 de novembro de 2017

[REDAÇÃO ENEM] DESAFIOS PARA A FORMAÇÃO EDUCACIONAL DE SURDOS NO BRASIL

  A professora repete, mais uma vez, o conteúdo para a classe agitada e dispersa. Entre a turma, sentado em frente à mesa da professora, está um menino tímido e ensimesmado, que tenta compreender a aula lendo os lábios da tutora, mas logo desiste, porque ela sempre para a explicação para chamar a atenção de algum aluno ou da classe no geral. Seus colegas de turma não sabem como se comunicar com ele, gesticulando de forma frenética e confusa; e alguns deles, provocativos, fazem caretas ou dirigem a ele gestos obscenos. Seus pais também possuem dificuldades de se comunicar com ele, pois ainda estão aprendendo a língua dos sinais. Como esperar que essa criança, desamparada em todos os sentidos, tenha um bom desempenho escolar?!
  As escolas brasileiras, especialmente as públicas, na maioria das vezes falham em dar apoio educacional a seus alunos, como demonstra os resultados de testes de avaliação nacionais e internacionais, e esse fosso é ainda maior quando se trata de alunos deficientes: os profissionais da educação, muitas vezes, não sabem como lidar com a maioria delas, como a surdez, não sabendo o básico para o uso de Libras. E se eles não sabem, quem dirá os alunos, que muitas vezes tratam seus colegas deficientes auditivos com hostilidade, pois não sabem como se relacionar com eles. Contudo, são os pais que lidam com o mais difícil: reconhecer ainda cedo a deficiência e buscar apoio, tanto para o filho, quanto para eles próprios.
  Não existem soluções imediatas para esses problemas. Contudo, as esferas governamentais poderiam tomar a dianteira do processo: a obrigatoriedade, por lei, da inserção do ensino de Libras em cursos superiores de pedagogia e de docência, além de avaliações regulares dos profissionais. O ensino de Libras como matéria optativa no ensino básico também poderia ser proposto, aumentando o conhecimento da população sobre a linguagem. Porém, são os produtores de entertenimento que possuem o maior alcance das massas: as novelas poderiam retratar a surdez sem tabus, como fez as novelas Páginas da Vida e A Força do Querer com a Síndrome de Down e a transexualidade, respectivamente. O filme Rain Man expandiu o entendimento popular sobre o autismo. No ramo infantil, a Turma da Mônica mostrou seu lado inclusivo, dando espaço para personagens deficientes, como o *Mudinho. Assim como o Mudinho merece espaço na Turma, a surdez merece a atenção do Brasil.



*Mudinho?! Se você conhece TdM deve ter estranhado. O nome do personagem é Humberto, e eu só fui me recordar disso no caminho para casa. O que não fazem mais de 10 anos de fim-de-infância...