Para Alex e Panchito
e ao amor que existe entre os dois
e
Para Bruna Mota
que eu seja para sempre o seu Poeta
Meu coração desabrochou
em mil palpitações
quando o amor que em mim zunia
nele
pousou
Um enxame atroz penetrou profundamente
em meu vulnerável âmago
mergulhou-se em meu peito afogado
afundou-se em meu estômago
ferroou, ferroou, ferroou
e voou
zanzando
zumbindo
zombando
pegajoso, empapado de paixão
carregando consigo um pouquinho
de mim
de pouquinho em pouquinho
de pouquinho em pouquinho
tudo ao meu redor
(agora abaixo)
encolhia
mais à
cada
vez
Mais leve que o ar
ás alturas elevava-me, sublimando
alvo, fofo
iluminado
inflado, condensado
Estava nos céus
como se fosse um peixinho
perdido na imensidão azul
submerso em um nebuloso
oceano de esperanças
preso ao anzol que fere e alimenta
e a linha invisível que nos liga
encurtando-se
mais e mais
(menos; menos)
Atingem me
ríspidos relampeios
de ansiedade
me contorço
impaciente
em transe
piro
pelos
poros
transbordo
em bilhões
de borbotões -
trovões estrondam em meu estômago
- me derretendo
vou chovendo
chiando
e encharcando
seu vasto jardim verde e
vazio
Ternas e tépidas raízes brotam e me abraçam
Uma multidão de tulipas de múltiplas cores
florescem flamulando ao redor, flutuando
feito um multicolorido mar a ondular no ar
Suas mãos e dedos deslizam em deleite
ao escalar o cume de minhas escápulas
Rotacionam-se nossas cabeças em órbita
Os olhos se põem sob as pálpebras
E na escuridão, saem afoitas das tocas
as línguas, lascivas, e se lançam
à cópula com volúpia
mesclando-se em um enlace lento e molhado
Nossos corpos convergem, como
imensas massas tectônicas que a tudo abalam
Encaixam-se; pressionam-se
vibram em excitação
Os montes emergem na superfície
e do manto em movimento
a lava se eleva, espessa
penetrando o oco profundo
ribombando ao bombear-se entre a crosta
O vapor carbônico, baforado à atmosfera
O fremir; o furor; o fulgor; o fogo
findam, enfim, em um fervente esguicho
que escorre, lânguido, coalhando lentamente
Adormecemos debruçados ao amanhecer
Os corpos como montanhas na cordilheira
inertes, oscilantes, adjacentes
iluminados pela luz que nasce no horizonte
e que clareia o caminho das cores
que cruzam o céu de mãos dadas
deixando um longo rastro, deslumbrante:
um arco-íris no firmamento