Sob o negro e espesso bigode,
o dedo atrita contra a língua.
As partículas na saliva,
bailando na ponta do dedo
bailando na ponta do dedo
em movimentos brownianos,
unem-se a página virada
da patente solicitada.
A lâmpada suspensa ao teto
bombardeia seus quantas de luz
(trezentos mil km por segundo)
sobre o cabelo desgrenhado
do hom’em inércia frente à mesa
repleta de pilhas de papel,
tanto massivas, quanto enérgicas.
De súbito, ele observa atônito
um Gedankenexperiment:
onde um elevador em queda livre,
sendo atraído pela gravidade,
possui, dentro, um homem aprisionado.
Suspenso em meio ao ar,
acrescido de massa,
porém sem qualquer peso.
A levitar, iluminado,
em repouso sobre a cadeira,
modificando e distorcendo
todo o espaço-tempo da História.
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