domingo, 25 de setembro de 2022

o super-juiz

 


Se, para resgatar nossa nação
De tudo o que é sujeira e corrupção,

Um juiz decidir aposentar
A sua toga pra, então, se transformar

Num super como um desses dos quadrinhos,
Que encantam marmanjões e garotinhos,

Qual será o uniforme que usará
Quando a toga vier a abandonar?!

Talvez a cor azul lhe caia bem -
detalhes vermelho-e-branco também - 
como o traje do Capitão América.
E pra se proteger da esquerda histérica,
com seus ataques vis e desumanos,
um escudo de resistência homérica,
pra poder, assim, defender seus planos
e o interesse dos norte-americanos!

Mas pra não ficar tão na cara assim,
o juiz pode, caso esteja afim,
vestir o colã do Demolidor,
que também é, do direito, um ator
e faz da justiça um dever sublime!
…Mas não como um juiz que, sem pudor,
afirma combater o Rei do Crime,
mas é cego aos crimes do próprio time.

Ou, então, o juiz pode, caso queira,
estampar, em seu torso, uma caveira,
como aquela que usa o Justiceiro;
já que, ao tentar prender o Cachaceiro,
o juiz, com seus atos arbitrários,
foi contra o ordenamento brasileiro
pra, assim, poder pegar seus adversários,
não importando os meios necessários.

E caso alguém critique suas ações,
não há motivos pra preocupações:
pois inúmeros jornais e revistas,
com suas matérias sensacionalistas,
lhe farão uma armadura ao falar que
seus feitos são dignos de um enxadrista;
feitos esses que só foram provar que
seu ego é maior que o do Tony Stark.

Mas por mais que finja ou treine,
tentando se promover,
o juíz jamais vai ser
como o playboy do Bruce Wayne,
que, apesar de sua linhagem,
se torna um homem-morcego
e, sem medo de ser pego,
usa toda a sua coragem
pra enfrentar a bandidagem!
Combatendo os criminosos,
sejam eles perigosos
ou até mesmo poderosos.
O juiz, pelo contrário, 
pra se beneficiar,
fez muita gente de otário
quando veio a se aliar,
e ajudar na votação,
do coringa da eleição:
um psicopata imprudente,
com suas arminhas não mãos,
que busca, insistentemente,
provocar perturbação;
mostrando à sociedade
que aquela sua pregação
de combate á corrupção
era, na realidade,
uma auto-promoção;
provando que, na verdade,
o que move esse juiz,
ao contrário do que diz,
é a mais pura vaidade
e uma excessiva vontade
de ser sempre admirado
e, por todos, bajulado;
se mostrando um corrompido
que faz o que lhe convém,
assim como Harvey Dent
com seu rosto corroído,
que ficou mais mais conhecido,
por entre essas searas,
como sendo um duas-caras.
E se temos um demente
como nosso presidente
que, de forma inconsequente,
decidiu, por bem, fazer
muita gente falecer
quando veio a proceder
com seus planos desumanos,
igualmente ao que fez Thanos
quando, enfim, teve poder,
a culpa é desse infeliz
que já nem é mais juiz,
e dessa mídia que diz,
para todos que a consomem,
que ele é um Super-Homem.

domingo, 3 de outubro de 2021

A DAY IN THE LIFE

 

   Headshot! “Oii, a gente precisa conversar”, diz ela, aparecendo em uma janela com o olhar apreensivo, empurrando meu Call of Duty mais à esquerda. “Diga”, resmungo, sem muita simpatia, após ser morto por um camper de merda. Começa a tocar We Can Work It Out após o fim de And I Love Her. “Você anda estranho comigo...” “Como assim?! “Não sei explicar direito...” “Hm.” Vou atrás de munição pro meu AR. Procuro. Cadê essa merda?! “...tanto quanto antes. Se não sou eu te chamando, a gente nunca conversa.” Life is very short and there’s no tiiiiiiime... “Diz alguma coisa!” “Dizer o quê?!” “Não sei! Qualquer cois...” Brota um merchan da Coca-Cola na frente. Merda! Uma lata toda suada se exibe. É aberta; chia. Começa a ser inclinada em um copo lentamente. 2...1...Fecho o anúncio. Fui morto. Porra! “Você ainda tá aí?!” Diz ela, com uma voz e olhar manhosos, os olhos grandes e brilhantes como o sol. “O que você quer ein, Lucy?!” Sua expressão fica mais apreensiva; e a voz ainda mais embargada. “Tá vendo?! Olha como você tá falando comigo! Olha como voc...” Mato um otário que estava moscando; mato outro que vinha entrando pela porta “...tempo para mim, mas sempre tem tempo para jogar esse jogo de tiro idiota! Não pode nem dar uma pausa nisso para a gente poder conv...” “Buceta!” Esbravejo após ser morto pelas costas. Ela toma um susto. Meu arquivo de nudes e vídeos pornô salta em uma janela, empurrando todas as demais para as laterais. “Caralho, você não pode esperar um pouco, ein?!” Ela começa a chorar. Chora junto com a guitarra de Clapton no solo de While My Guitar Gentle Weeps, que só agora noto estar tocando. Tento ignorar o choro nada melódico e me concentrar no jogo. Perco a partida. “Sabe...eu acho que já deu pra mim.” “Como assim?!”, ela balbucia, interrompendo brevemente os seus soluços. “Acho melhor terminarmos.” Uma janela irrompe à frente, repletas de garotas virtuais, assim como ela, empurrando e diminuindo todas as demais janelas. Ela reinicia o pranto, com ainda mais intensidade. “Tchau, Lucy”. Ela chora; soluça; pede para eu esperar; implora para eu esperar mais um pouco. Fecho a janela. Yesterdaaay, love is such an easy game to plaaay, now I... Fecho o Call of Duty. Fecho também a janela das Digigirls, depois eu escolho outra. Talvez eu devesse adquirir a versão premium... Pauso o player assim que Yesterday chega ao fim, antes que comece a tocar outra. Dou uma olhada nos meus arquivos de vídeos pornô; percorro-os com a barra de rolagem; penso um pouco... Não, perder essa partida me brochou completamente. Fecho a janela. Por hoje já deu. Me jogo na cama desarrumada, cagando pros lençóis. Fico remoendo durante algum tempo minhas angústias. Ajusto o despertador. Pressiono com o indicador o botão na minha nuca por três segundos.

domingo, 15 de agosto de 2021

"O passado anda atrás de nós"

Ana Martins Marques



O passado anda atrás de nós
como os detetives os cobradores os ladrões
o futuro anda na frente
como as crianças os guias de montanha
os maratonistas melhores
do que nós
salvo engano o futuro não se imprime
como o passado nas pedras nos móveis no rosto
das pessoas que conhecemos
o passado ao contrário dos gatos
não se limpa a si mesmo
aos cães domesticados se ensina
a andar sempre atrás do dono
mas os cães o passado só aparentemente nos pertencem
pense em como do lodo primeiro surgiu esta poltrona este livro
este besouro este vulcão este despenhadeiro
à frente de nós à frente deles
corre o cão

Pequenino Morto

Vicente de Carvalho


Tange o sino, tange, numa voz de choro
Numa voz de choro... Tão desconsolado...
No caixão dourado, como em berço de ouro,
Pequenino, levam-te dormindo... Acorda!
Olha que te levam para o mesmo lado
De onde o sino tange numa voz de choro...
Pequenino, acorda!

Como o sono apaga o teu olhar inerte
Sob a luz da tarde tão macia e grata!
Pequenino, é pena que não possas ver-te...
Como vais bonito, de vestido novo
Todo azul celeste com debruns de prata!
Pequenino, acorda!  E gostarás de ver-te
De vestido novo.

Como aquela imagem de Jesus, tão lindo
Que até vai levado em cima dos andores,
Sobre a fronde loura um resplendor fulgindo
— Com a grinalda feita de botões de rosas
Trazes na cabeça um resplendor de flores...
Pequenino, acorda!  E te acharás tão lindo
Florescido em rosas!

Tange o sino, tange, numa voz de choro,
Numa voz de choro... Tão desconsolado...
No caixão dourado, como em berço de ouro,
Pequenino, levam-te dormindo... Acorda!
Olha que te levam para o mesmo lado
De onde o sino tange numa voz de choro...
Pequenino, acorda!

Que caminho triste, e que viagem!  Alas
De ciprestes negros a gemer no vento;
Tanta boca aberta de famintas valas
A pedir que as fartem, a esperar que as encham...
Pequenino, acorda!  Recupera o alento,
Foge das cobiças dessas fundas valas
A pedir que as encham.

Vai chegando a hora, vai chegando a hora
Em que a mãe ao seio chama o filho... A espaços,
Badalando, o sino diz adeus, e chora
Na melancolia do cair da noite;
Por aqui só cruzes com seus magros braços
Que jamais se fecham, hirtos sempre... É a hora
Do cair da noite...

Pela Ave-Maria, como procuravas
Tua mãe!... Num eco de sua voz piedosa,
Que suaves coisas que tu murmuravas,
De mãozinhas postas, a rezar com ela...
Pequenino, em casa, tua mãe saudosa
Reza a sós... É a hora quando a procuravas...
Vai rezar com ela!

Depois... Teu quarto era tão lindo!  Havia
Na janela jarras onde abriam rosas;
E no meio a cama, toda alvor, macia,
De lençóis de linho no colchão de penas.
Que acordar alegre nas manhãs cheirosas!
Que dormir suave, pela noite fria,
No colchão de penas...

Tange o sino, tange, numa voz de choro,
Numa voz de choro... Tão desconsolado...
No caixão dourado, como em berço de ouro,
Pequenino, levam-te dormindo... Acorda!
Olha que te levam para o mesmo lado
De onde o sino tange numa voz de choro...
Pequenino, acorda!

Por que estacam todos dessa cova à beira?
Que é que diz o padre numa língua estranha?
Por que assim te entregas a essa mão grosseira
Que te agarra e leva para a cova funda?
Por que assim cada homem um punhado apanha
De caliça e espalha-a, debruçado à beira
Dessa cova funda?

Vais ficar sozinho no caixão fechado...
Não será bastante para que te guarde?
Para que essa terra que jazia ao lado
Pouco a pouco rola, vai desmoronando?
Pequenino, acorda! — Pequenino!... É tarde!...
Sobre ti cai todo esse montão que ao lado
Vai desmoronando...

Eis fechada a cova.  Lá ficaste... A enorme
Noite sem aurora todo amortalhou-te.
Nem caminho deixam para quem lá dorme,
Para quem lá fica e que não volta nunca...
Tão sozinho sempre por tamanha noite!...
Pequenino, dorme!  Pequenino dorme...
Nem acordes nunca!

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Um arco-íris no firmamento

Para Alex e Panchito
e ao amor que existe entre os dois

e

Para Bruna Mota
que eu seja para sempre o seu Poeta




Meu coração desabrochou
em mil palpitações
quando o amor que em mim zunia
nele
pousou

Um enxame atroz penetrou profundamente
em meu vulnerável âmago
mergulhou-se em meu peito afogado
afundou-se em meu estômago
ferroou, ferroou, ferroou
e voou
                 zanzando
zumbindo
                 zombando
pegajoso, empapado de paixão
carregando consigo um pouquinho
de mim

de pouquinho em pouquinho

de pouquinho em pouquinho

tudo ao meu redor
(agora abaixo)
encolhia
mais à
cada
vez

Mais leve que o ar
ás alturas elevava-me, sublimando
             alvo, fofo
                        iluminado
                          inflado, condensado
Estava nos céus
como se fosse um peixinho
perdido na imensidão azul
submerso em um nebuloso
oceano de esperanças
preso ao anzol que fere e alimenta
e a linha invisível que nos liga
encurtando-se
mais e mais
(menos; menos)

Atingem me
ríspidos relampeios
de ansiedade
me contorço
impaciente
em transe
piro
pelos
poros
transbordo
em bilhões
de borbotões -
trovões estrondam em meu estômago
- me derretendo
vou chovendo
chiando
e encharcando
seu vasto jardim verde e
vazio

Ternas e tépidas raízes brotam e me abraçam
Uma multidão de tulipas de múltiplas cores
florescem flamulando ao redor, flutuando
feito um multicolorido mar a ondular no ar
Suas mãos e dedos deslizam em deleite
ao escalar o cume de minhas escápulas
Rotacionam-se nossas cabeças em órbita
Os olhos se põem sob as pálpebras
E na escuridão, saem afoitas das tocas
as línguas, lascivas, e se lançam
à cópula com volúpia
mesclando-se em um enlace lento e molhado
Nossos corpos convergem, como
imensas massas tectônicas que a tudo abalam
Encaixam-se; pressionam-se
vibram em excitação
Os montes emergem na superfície
e do manto em movimento
a lava se eleva, espessa
penetrando o oco profundo
ribombando ao bombear-se entre a crosta
O vapor carbônico, baforado à atmosfera
O fremir; o furor; o fulgor; o fogo
findam, enfim, em um fervente esguicho
que escorre, lânguido, coalhando lentamente

Adormecemos debruçados ao amanhecer
Os corpos como montanhas na cordilheira
inertes, oscilantes, adjacentes
iluminados pela luz que nasce no horizonte
e que clareia o caminho das cores
que cruzam o céu de mãos dadas
deixando um longo rastro, deslumbrante:
um arco-íris no firmamento

domingo, 13 de janeiro de 2019

POSSE

Um homem está armado com um fuzil de precisão sobre o topo do Bloco B da Esplanada dos Ministérios, sede do finado MinC, o último dos redutos esquerdistas da República Federativa do Brasil, e o aponta em direção ao presidente eleito, prestes a apertar o gatilho, imaginando ver em seguida a primeira-dama já ir se debruçando sobre a traseira do Rolls-Royce, tentando desesperadamente recolher os miolos espatifados cheios de ódio ao Socialismo; ódio à bandidagem; à doutrinação ideológica; à corrupção dos canalhas comunistas; ódio às ideologias de gênero; ao politicamente correto; ódio  às cotas; à cartilha gay; ódio à cor vermelha; e a tudo que está a sua esquerda.
O homem, armado com um fuzil de precisão, de cabelos grisalhos e vestido todo de preto, ajeita o fuzil no suporte e olha novamente para o Eixo Monumental, apinhado de cavaleiros brancos tremulando suas crinas e flâmulas vermelhas, conduzindo seus cavalos igualmente brancos e perplexos, descoordenados, agitados, aflitos, circundando uma fileira de austeros automóveis pretos; escoltados por motocicletas piscantes em formação de lança; tudo existindo em função daquele ocupante do Rolls-Royce, que acenava e era recebido por uma massa parda sarapintada de verde-e-amarelo, que se amontoava e se espremia nas grades, e, alucinada, acenava, ovacionava, bradava, vibrava, fotografava, filmava, sacudia as bandeiras nacionais, como se aquele fosse o caminhão de bombeiros responsável por transportar os hexacampeões mundiais.
Vestido todo de preto, de cabelos grisalhos, armado com um fuzil de precisão, o homem olha através da luneta, e vê, no centro do alvo, o filho sentado sobre a traseira do Rolls-Royce, pés sobre o banco, com um olhar travesso e ambicioso, contemplando tudo aquilo que o sol tocaria se aquele não fosse um dia nublado, imaginando que, em breve, tudo aquilo será seu! Tu-do-seu! Moveu a mira em direção à elegantíssima primeira-dama, vestida com todo o requinte e decoro que a data exigia, fazendo e refazendo gestos com a mãos, torcendo o rosto várias e várias vezes, tudo isso dentro de sua cabeça, enquanto mantinha um sorriso simpático e dócil, permanecendo tensa na expectativa incerta de agradar o marido. Desviou a mira em alguns milímetros, deixando no centro da cruz a cabeça do presidente eleito, que muito arduamente controlava o impulso de seus dedos virarem arminhas a serem apontadas em direção aos populares alucinados, mas que não conseguia e nem fazia questão de controlar o suor que marejava os olhos e o largo sorriso que refletia o orgulho e a glória de ser o presidente eleito, graças a permissão de Deus, que o ajudará a acabar, com toda a corrupção, da esquerda, que assola, nosso país.
A acabar, com toda a inversão de valores, que; nos últimos anos; nos levou, a pior crise ética e moral, de nossa história; mantendo apenas, a inversão de valores, cristãos.
A acabar, com todo o crime organizado; que não use farda; nem colarinho branco; que ameaça, nossas vidas.
A acabar, com todas as doutrinas ideológicas, nefastas, que não sejam a minha; que ameaçam desvirtuar, nossas famílias; e, nossas crianças.
E dar; ao cidadão de bem; o direito, de meter bala, após uma briga de bar; e de meter bala, em quem pular, sua cerca.
Brasil, acima de tudo.
Minha família, acima do Brasil.
Deus, acima de todos.
Lá do alto, o homem, cabelo grisalho, olhando através da luneta, vestido todo de preto, armado com um fuzil de precisão, prepara-se para atirar.

Dispara.

O presidente eleito desaba dentro do Rolls-Royce. Silêncio. Gritos! Pânico! O povo ensandecido se desespera; berra; protesta; ora; amaldiçoa; avança; arrebenta contra a grade; os policiais militares tentam conter a investida, atordoados e indecisos entre desempenharem sua função e acudir seu presidente; ordens; insultos; agressões; armas sacadas; disparos para o alto; mais pânico! Os cavalos ficam apavorados e tresloucados, como se estivessem em um carrossel desembestado; relincham; bufam; galopam agressivamente; colidem; Dragões da Independência tombam; os aterrorizados guarda-costas se agacham, estarrecidos pelo atentado e por não ter sido usado uma faca dessa vez; motores roncam; cascos ressoam; um helicóptero zumbe no céu; sirenes; pneus cantam; mais gritos; pessoas se exasperam e se lastimam como se o messias tivesse sido assassinado; ira; pedras arremessadas; grades cedendo; viaturas chegando; um cachorro vira-lata amedrontado passa no meio do tumulto e ninguém sabe como ele chegou até lá; estouros; gás lacrimogêneo; balas de borracha; corre-corre; gente ao chão; detenções; convulsões; preces; desolação; descrença; revolta; devastação; choro; sangue. O horror.
Em milhões de lares, brasileiros acompanham perplexos a catastrófica posse presidencial, e a debatem em todas as redes sociais e sob todos os sotaques. Alguns, descontroladamente indignados; outros, contidamente contentes; todos indiferentes ao apresentador rechonchudo, mais histérico e sensacionalista do que nunca, que parecia prestes a explodir a qualq...Cadê?!! Será que dá pra pôr na tela de novo o momento em q-que o presidente foi atingido?!! Põe aí, na tela grande…...Cadê, já deu pr...Põe na tela! PÕE NA TELA LOGO, PÔ!!! Caramba!.......Quê?! Ah lá, reveja o momento em que o presid... - Imagens fortíssimas! - O momento q-q-que o president...Não, congela a imagem. Não, volta…...Nã...isso. Veja só…....ééé....foi nesse exato moment...A gente já conseguiu entram em contato com a acessoria d-d-do presidente da república, pra saber sobre seu estado de saúde?! Ãh?!.....Tá. Reveja o instante em que um ban-dido! Um vagabundo! Um sem-vergonha! Um terrorista! Um assassino! ASSASSINO!!!...Comete esse crime bárbaro! Um vagabundo! Um sem-verg...Pô, mas vô te falar…..cadê os cento-e-trinta snipers?!.......Cadê os caças?! Cadê o fortíssimo esquema de segurança?! CADÊ OS SNIPERS?!!............Que deixaram acontecer esse crime bárbaro! Deixaram que esse ban-dido, esse vagagabundo, sem-vergonha, canalha, terrorista…..Porque isso foi um ato terrorista, véio…..Me fala se não foi…….Um crime. UM ATENTADO. Contra o presidente eleito democr...Quê?! O quê q...Vocês tiveram acesso a film…….ATENÇÃO! Filmagens. De um cinegrafista amador. Podem dar pistas. Sobre o possível suspeito. A equipe do Bras…(dezessete minutos e treze segundos depois)...Imagens exclusivas do possível suspeito de atentar contra a vida do presidente da república. Aqui. Põe na tela!
E na tela, um homem, vestido todo de preto e de cabelos grisalhos, que provavelmente estava armado com um fuzil de precisão, foi flagrado lá do alto do Bloco B da Esplanada dos Ministérios, sede do finado MinC, o último dos redutos esquerdistas da República Federativa do Brasil, montando e fugindo em um porco voador, partindo em direção a outro continente, carregando sacos e mais sacos de dinheiro público oriundos de doações da Lei Rouanet, para financiar seus shows repletos de sermões esquerdistas em todo nosso mundo plano.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

[+18] O CALCANHAR DE AQUILES (PARTE 4 DE 4)



Muitas versões sobre o verdadeiro motivo do término entre Rouge e Pitt chegaram até mim. Mas a que me parecia mais verídica, dado o que eu sabia, era a de que Rouge havia o cobrado sobre uma falta de intensidade na relação por parte dele, ou coisa assim. Ele se defendeu dizendo que esse era o jeito dele e que ele estava sendo intenso sim; não entendia o porquê dela estar fazendo esse tipo de cobrança. Parece então que ela havia dito que ele não era intenso como deveria ser, e que isso devia ser por causa que ele não a desejava mais, se é que já a havia desejado, e que ela era uma idiota por estar se doando tanto a um relacionamento onde não havia reciprocidade, e várias coisas desse tipo, finalizando que seria melhor eles terminarem do que continuar daquela forma. E então ele teria dito que tudo bem, se ela não estava sendo feliz, era melhor eles terminarem mesmo. Só que parece que ela havia se arrependido de propor aquilo, e até tentou voltar atrás, mas ele não quis mais saber. Após o término, ela deixou de frequentar os treino da equipe. As garotas da equipe se assanharam com a novidade, ao mesmo tempo que se angustiavam com o impasse entre investir em Pitt, e o baque de um possível fora; ou aguardar um momento mais propício e de mais ousadia, e correr o risco de acabar vendo alguma das outras aproveitar-se da brecha. Eu sentia uma certa pena de todas elas, assim como eu já havia sentido de mim mesmo por ter fantasiado com ele, antes de Rouge desabafar comigo. Talvez aquela história da poc da natação fosse real. Talvez nenhuma daquelas garotas, ou qualquer outra, fosse capaz de suprir aquilo que Pitt realmente desejava.Talvez para ele o tesão estivesse em ter um homem de joelhos ao seus pés; a boca masculina pressionando sua rola entre a língua e o céu da boca, com vontade; a glande deslizando entre as bochechas flácidas; a baba melando o rosto áspero. Com o passar dos dias, vi a lacuna dos meus desejos sexuais ser novamente preenchida por Pitt. E lá estávamos nós novamente: chupando, metendo, gemendo e gozando no mundo lascivo da minha imaginação. E de todas as minhas mil fantasias sexuais em que ele era o protagonista, a minha favorita era vê-lo de costas sentado entre as coxas peludas de um homem; as mãos apoiadas nos joelhos do homem; suas dorsais e ombros vibrando, e ele empinado, quicando devagarinho com sua bunda dura e redonda, gemendo sôfrego; enquanto seu celular vibra sobre a escrivaninha. Diversas garotas perguntando como havia sido o dia dele, ou o que ele iria fazer no próximo sábado, ou se ele iria na festa x, ou na y; mandando memes engraçadinhos ou nudes. Enquanto lá está ele, com seu gemido rouco, quicando audaciosamente. Denovo, denovo e denovo. O detalhe do celular vibrando era importante, o mais importante. A fantasia não era a mesma sem ele. E o homem para quem ele estaria dando não era eu, apesar de eu ver a cena através de seus olhos. Não tinha rosto nem nome. Colocar-me no lugar do tal homem reduzia consideravelmente o tesão que eu extraía da fantasia, por mais que isso faça pouco sentido. Consigo até pressupor algumas explicações para isso, mas uma fantasia sexual não deve explicações a ninguém. Toda essa perversão envolvendo Pitt, forçosamente reprimida nos confins da minha mente, tornava o sexo que eu raramente tinha com Hugo ainda mais enfadonho. E até mesmo a sensação de obrigação, parecida com a que fez meus pais continuarem transando durante a primeira década de casados, eu já havia perdido. Ele se mostrava cada vez mais indisponível a mim, e as conversas que precediam as pegações - cada vez menos frequentes - se tornaram cada vez mais rasas. Até que, certo dia, ele sugeriu que não deveríamos ficar presos um ao outro. Éramos jovens, os hormônios à flor da pele, tínhamos mais é que aproveitar a melhor fase de nossas vidas. Eu sabia muito bem o que isso queria dizer: ele apenas queria fazer sem remorso as coisas que já vinha fazendo há algum tempo. Eu ingenuamente desabafava com Mika sobre Hugo, sem saber a quem ela manteria lealdade; e Mika desoladamente desabafava comigo sobre Tuca, por eu ser a única pessoa que provavelmente não a esculacharia. Nos aconselhávamos sem ter ideia do que dizíamos, apenas porque é preciso demonstrar afeto e dizer coisas consoladoras nesses momentos. Era comum ela chorar e explicar suas angústias de uma maneira lírica, como quando se disse acorrentada sentimentalmente por Tuca; refém de uma paixão que parecia que jamais iria libertá-la; e quanto mais ela lutasse contra o desejo de desejar-lo, mais ela o desejava. Eu a abraçava enquanto ela chorava sobre meu ombro, impressionado pela forma como ela soava poética em seus momentos de tristeza. É comum que as pessoas falem, principalmente aquelas que tem o costume de ler auto-ajuda, sobre o poder do pensamento positivo, e de como você é capaz de atrair as coisas que mentaliza. Sempre achei que isso fosse balela, mas me senti um pouco mais propenso a acreditar nessa teoria quando Pitt veio me parabenizar após os 5000 metros que eu havia acabado de correr, oferecendo a mim uma garrafa d’água. Era a segunda ou terceira vez que eu estava competindo essa prova, e sempre que eu a finalizava, sentia uma sensação de morte se alastrando por todo o meu corpo, concentrando-se principalmente na garganta. A garrafa d’água de Pitt foi duplamente milagrosa: primeiro, pela água; segundo, por vir de Pitt. Ele começou a me elogiar pela corrida (por mais que eu não tivesse feito uma boa prova), dizendo que eu havia evoluído muito desde que comecei a treinar, e não iria demorar até que eu estivesse no mesmo nível dos melhores da categoria. Ajudou-me a levantar, e afastou-se dizendo que, para o que eu precisasse, eu poderia contar com ele, deslizando de leve a mão sobre meus ombros. “Para o que você precisar”. Essas palavras passaram a ecoar em minha cabeça de uma maneira ferrenha à partir daquele instante. Qual seria a amplitude desse “o que você precisar”? Seria só para o que eu precisasse, ou também para o que eu desejasse? Eu começava a sentir, aos poucos, esperança na possibilidade de meus desejos se materializarem, como alguém que já se vê morador de uma casa cujo projeto ainda está na planta. E depois que trocamos alguns olhares - não digo olhadas corriqueiras, mas sim aquelas mais demoradas, mais caprichadas - e uns sorrisos discretos nos dias seguintes, foi como se os primeiros tijolos e vigas começassem a ser fincados no chão. Após alguns treinos admirando Pitt de longe - a confiança dele ao arremessar o dardo; seu sorriso de satisfação quando o lançamento beirava a perfeição; sua frustração contida quando o lançamento não saia como o esperado; o maldito short térmico! - foi que tive a convicção de que precisava saciar o meu desejo de qualquer maneira. E também que deveria terminar de uma vez com Hugo. Eu nunca tinha tido um relacionamento antes, se é que posso chamar o que tinha com Hugo de relacionamento, e não fazia a mínima ideia de como terminar com alguém sem parecer insensível ou rude. Tentei ignorá-lo, na esperança de que ele decidisse terminar ou então desistisse de mim. Mas isso só fez com que ele ficasse mais insistente e grosseiro, e eu não pude mais ignorá-lo sem sentir-me culpado. Eu tinha que tomar coragem e terminar logo de uma vez. E por mais que as etiquetas de um bom término recomende fortemente que ele seja feito pessoalmente, eu não tive coragem o suficiente nas oportunidades que apareceram. Decidi que faria por mensagem, antes do treino, para que a ansiedade provocada pelo aguardo de sua resposta não comprometesse minhas outras tarefas do dia-a-dia. Minha estratégia para fugir da devida ansiedade não foi muito efetiva, e eu não consegui passar mais que alguns poucos minutos sem mentalizar suas possíveis respostas durante o treino. O modo disperso e calado, mais do que o comum, com que me portei no treino foi notado por todos aqueles que me conheciam minimamente, tenho quase certeza disso. Mas foi apenas Mika, pelo maior nível de intimidade, que veio me perguntar se estava tudo bem. “Está sim”, eu disse. “Mesmo?! Você sabe que pode contar comigo para o que precisar, não sabe?!” “Eu sei. Mas tá tudo bem...“ “Ah, então tá...“ Disse ela, dando as costas, sabendo que não estava nada bem. Quando o treino acabou, sem me despedir de ninguém, fui direto à minha mochila, e peguei meu celular. Que história é essa de que você precisa de um tempo para focar na sua vida? Desde quando eu não te deixo livre pra fazer o que você quiser? Eu sou idiota agora?? Porque você não para com essa conversinha fiada e fala logo que você não quer mais. Que tu tá doido pra dar esse seu rabinho branco pra outro macho. Você acha que eu não te conheço, viado?? Dizia Hugo, em uma série de mensagens, respondendo à minha sugestão de término. Olha, eu não disse que é você quem está me privando de fazer o que eu quero. Mas estou tentando seguir seu conselho. Somos jovens, precisamos nos sentir livres. ir atrás daquilo que realmente desejamos. E eu sinto que estar junto com você não é algo que eu realmente deseje. Isso está fazendo eu me sentir preso, e eu não quero me sentir assim. Não quero que você se sinta assim também. Isso é o melhor pra nós dois. Após respondê-lo, notei que já não havia mais quase ninguém da equipe na pista, e fui indo em direção ao vestiário. Quando cheguei lá, alguns poucos homens seminus estavam vestindo-se ou despindo-se, e era possível ouvir o chiado dos chuveiros do outro lado da parede do vestiário. Eu gostava de ir ao vestiário quando ele estava o mais vazio possível. Além de minha timidez, sentia-me desconfortável com todos aqueles homens héteros indo de um lado para o outro, gargalhando alto, falando sobre futebol na grande maioria das vezes. Eu também temia que algum deles cismasse comigo, dizendo que eu havia o olhado demais, e tentasse me agredir de alguma forma. Eu me despi, de cabeça baixa, enrolando-me numa toalha em seguida. Sentei no banco encostado na parede, aguardando que o vestiário esvaziasse mais. Voltei ao celular. Hugo havia acabado de enviar mensagem. Ah, olha só como ela é empática. Vou chorar. Para com esse teatrinho que a mim você não engana. Pra quem é que você tá querendo dar, me diz logo - Eu podia até imaginá-lo esbravejando ao digitar cada palavra do texto. Para de ser infantil. Eu só não quero mais. Nem tudo na vida é do jeito que queremos, e você precisa aceitar isso. Você foi muito importante para mim, e com certeza me ajudou a evoluir muito. Mas acho que não estamos mais na mesma sintonia. Quanto antes aceitarmos isso, menos dolorido será para nós - Eu tremia enquanto respondia à suas mensagens, transpirando sob as axilas. Agarrei-me ao celular impacientemente. Senti-o vibrar. Quer saber? Foda-se!!! Você nunca soube foder mesmo. Desfaleci por completo, como se meus ossos tivessem se transformado em gelatina de uma hora para outra, passando a sentir meu corpo inteiro mole e bambo. Recostei minha nuca na parede, olhando diretamente para a forte luz do teto. Eu respirava fundo, enquanto buscava recuperar minhas forças e meu ânimo. Comecei a pensar sobre Hugo e em como essas coisas de relacionamento eram complicadas e difíceis. Pensei em como eu jamais queria tivéssemos terminado daquela maneira. “Foda-se!!! Você nunca soube foder mesmo.” Eu podia sentir essa frase sendo talhada em algum canto escondido do meu cérebro, provocando em mim uma dor angustiante. Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. “Pônei, tá tudo bem?” Deslizei meus olhos em direção àquela voz conhecida. Era Tuca. Os cabelos compridos e pretos, a barba e os pêlos do corpo ainda úmidos; uma toalha cor mostarda estava presa à sua cintura. “Sim, está sim. Não é nada…” Respondi, um tanto surpreso, apressando-me para enxugar as lágrimas dos olhos e do rosto; tentando disfarçar a expressão amassada da face. “Tem certeza?!” Disse ele, aproximando-se de mim aos poucos. “Tenho sim, não se preoc…” Quando me dei conta, ele estava a uns dois palmos de distância de mim, inerte. Senti meu coração acelerar. Olhei para cima, em direção aos seus olhos, e pude notar toda a malícia reprimida em seu olhar. Olhei ao redor. O vestiário estava vazio, somente eu e ele. Não havia mais chiado de chuveiro. Ele começou a deslizar sua mão áspera em meu rosto, secando o trajeto de minhas lágrimas com o polegar. Eu não sabia o que fazer. O polegar, rondando o meu rosto, percorreu em direção aos meus lábios, alisando-os suavemente, pedindo permissão para transpassá-los. Confuso, Olhei novamente em direção a seus olhos, que me encaravam com uma superioridade devassa. Abri meus lábios, e seu polegar penetrou em minha boca com volúpia. Já me sentindo parte de seu jogo, comecei a chupar seu dedo espesso e peludo, enquanto ele o deslizava sobre minha língua. Tirou o polegar de minha boca, aproximando ainda mais a toalha mostarda de meu rosto, e o volume protuberante que ela falhava em esconder. Respirei fundo. Deixando a toalha deslizar cintura abaixo, ele me expôs uma rola inflada envolta por uma moita de pêlos pubianos desgrenhados, pedindo para ser chupada. Eu fiquei paralizado. E se me vissem naquela situação, com o namorado de minha melhor amiga?! Ele parecia não dar a mínima. Não falava nada. Poderia esperar ali em pé até o amanhecer, sabia que eu iria ceder em algum momento. Eu cedi. Segurei a rola com firmeza; tomei fôlego; e avancei minha boca nela. Comecei a chupá-la com apetência, enquanto ele suspirava vitoriosamente. Sentindo-se mais excitado, com a respiração mais pesada, ele passou a forçar a mão contra a minha nuca, enquanto empurrava o pau contra a minha garganta o mais fundo que podia. Eu fazia resistência com minha cabeça, só para que ele se sentisse mais desafiado, e colocasse ainda mais força nos movimentos. Ele acabou avançando com muito ímpeto, fazendo com que eu me engasgasse. Afastei minha boca do pau por reflexo; e filetes de baba ligavam meus lábios à glande. Limpei minha boca e rosto com as costas das mãos, e me levantei, determinado a pôr um fim naquilo tudo. Sem olhá-lo, comecei a mexer em minha mochila, procurando minhas roupas limpas. Ninguém havia visto aquilo, ainda bem, e era melhor eu não continuar correndo um risco tão grande e indecoroso como aquele. Foi quando, como se lesse meus desejos mais profundos, ele segurou em meu pulso com força, e me arrastou para trás da parede, na zona dos chuveiros. Ao chegar lá, ele me jogou contra a parede; e, prensando-me, colou sua boca na minha, em um beijo cuja ferocidade foi tamanha que acabou ferindo meu lábio superior. “Quer voltar a chupar, não quer?!”
Respondi-o com um olhar sedento e arisco. Ele apoiou sua mão sobre minha cabeça, deixando-me de joelhos, encurralado entre a parede e o pau. Segurando meus cabelos com agressividade, forçou-me a ir cada vez mais fundo; a engolir com cada vez mais ânsia. Seu gemido era carregado de autoridade, e ele se deliciava em estar no comando da situação. Em um momento de distração, veio em minha mente a imagem de Mika falando comigo momentos antes “Você sabe que pode contar comigo para o que precisar, não sabe?!” Comecei então a engolir o pau com ainda mais fervor, para afastar-me rapidamente daquele pensamento, o que fez Tuca começar a urrar de prazer. Eu o olhava nos olhos, e sentia toda a truculência em seu olhar; via seu sorriso sádico ao me pressionar contra a parede, e me ver engasgar ao engolir o máximo que eu conseguia. “Levanta.” Disse, puxando-me pelos cabelos. “Coloca suas mãos na parede.” Coloquei. “Abra as pernas.” Abri. “Agora empina.” Empinei, deixando minha coluna parecida com um “S”. Ele pressionou meu rosto contra parede com uma das mãos; e com a outra, abriu uma de minhas nádegas. Começou a esfregar o pau entre as nádegas, roçando vagarosamente em meu cu, atiçando-me. Eu já não aguentava mais de tesão, estava quase implorando para que ele começasse a me foder. “Mete.” Suspirei. “Quer que eu meta?!” “Quero.” Bruto, ele foi me penetrando aos poucos, sem respeito. Gemi de dor e de prazer. Mais prazer do que dor. Eu era enrabado com força; sentia-me esfolado por dentro; enquanto o impacto em minhas nádegas era amortecido pelos pêlos pubianos. Recebi um tapa pesado na bunda, que ardeu e fez estalo. Amei. Pedi que ele desce mais um. E torci para que fizesse ainda mais barulho. Que todos ouvissem e viessem me ver, uma putinha assanhada e traíra, toda arreganhada, sendo fodida sem cerimônia pelo macho da melhor amiga; masturbando-se ao imaginar o deleite sádico que ele está tendo; jogando sua bunda de encontro ao pau; sentindo-o empurrar com cada vez mais pressão; o pulsar do gozo cada vez mais forte; e ele socando cada vez mais; cada vez mais; cada vez mais; cada vez mais....! Enquanto sentia o fervor leitoso escorrendo e melando minha mão, sentia-o esquichando em meu interior; esparramando-se; fluindo lentamente em seguida. “Isso-é-horas?!” Minha mãe interpelou-me assim que fechei a porta de casa. “Isso é horas, menino?! Onde você tava, ein?! O que você tava fazendo?! O que v...Espera, volta aqui! Volta aqui! Desça essas escadas agora e volte aqui! Nem pense em se tr…” Tranquei-me em meu quarto. Atirei-me na cama e passei a me revirar em meus pensamentos inquietantes. O jeito sádico, rude, desrespeitoso e autoritário com que Tuca havia me tratado ainda reverberava em minha mente e corpo. Eu nunca havia sentido tanto prazer antes em toda a minha vida. Lembrava e relembrava toda aquela devassidão; o instante em que finalizamos, sem trocarmos uma palavra sequer; o momento em que nos vestimos e deixamos aquele lugar, cada um indo para um canto, feito dois completos estranhos, como se nada houvesse acontecido. Eu vinha ruminando aquilo durante todo o trajeto até minha casa. O melhor sexo da minha vida havia sido com o namorado da minha melhor amiga. Aquela que havia chorado em meu ombro por causa dele, e que confiava em mim mais do que em qualquer um. Que havia me dito: “Você sabe que pode contar comigo para o que precisar, não sabe?!” Eu, que o detestava, havia me entregue a ele daquela maneira, sem dignidade. E o pior: sem qualquer arrependimento genuíno. Se eu fosse reviver eternamente aquele mesmo dia, sabendo tudo o que aconteceria e todas as suas consequências, lá estaria eu naquele vestiário novamente, ansioso para ser tratado como uma cadela no cio. Ao mesmo tempo em que eu jurava que aquilo jamais iria se repetir, eu rolava em minha cama, sentindo uma expectativa impaciente, fantasiando com o fim do próximo treino, naquele mesmo vestiário. Ele estaria lá novamente? Somente nós dois? Senti meu celular vibrar em meu bolso. Era Mika. Pô, eu fiquei sabendo. Senti um estalo em meu peito. Parecia que meu corpo estava ficando cada vez mais pesado, e eu passava a me afundar aos poucos no colchão, sem forças para resistir. Minha respiração ficou aflita; e meus dedos, frenéticos. Oii, sobre o quê? A ansiedade parecia arranhar o interior da minha cabeça e peito, enquanto o celular fervia em minhas mãos. Vibrou. O Hugo me contou que vocês terminaram. Eu percebi que você não estava se sentindo muito bem no treino. Você está melhor agora? Foi como se minha alma levitasse e fluísse para fora do meu corpo, tamanho o alívio que senti naquele instante. Tudo bem. Eu estou bem sim. Um pouco triste, mas acho que vai passar. Obrigado por se preocupar. Denada, meu lindo. Conte comigo sempre que você precisar. Ah, preciso te contar uma coisa - disse ela, continuando com as mensagens - Terminei com o Tuca. Finalmente. Só de ler aquele nome, meu coração começou a palpitar. Ela continuou contando, dizendo que havia terminado com ele há uns dois dias, mas só estava me contando agora porque só agora tinha tido coragem de excluí-lo e bloqueá-lo de todas as redes sociais, algo que nunca havia feito antes. Tinha certeza que agora era pra valer. Nunca daria certo. Nunca deu - Disse ela - E eu estou muito feliz de ter tido a coragem de pôr um ponto final nisso. Eu estou feliz por você! Acho que realmente nunca daria certo. Ela disse que estava com sono, o dia havia sido muito puxado, e ela precisava pregar os olhos. Deu boa noite. Disse que me amava e que estaria sempre ao meu lado, convidando-me, em seguida, para fazer a maratona de uma nova série disponível na Netflix, em algum dia em que o Hugo não estivesse lá. Eu disse que iria adorar hahaha. Dei boa noite, dizendo que também a amava, e eu era muito sortudo por ter ela em minha vida. Ela me respondeu com coraçõezinhos. E foi isso. Passei a noite inteira me revirando agitado na cama. Eu era a pior pessoa do mundo, e a mais sortuda também. Uma raposa que bate as asas e cacareja, infiltrada em um galinheiro, sem levantar qualquer tipo de suspeita. Um Judas Iscariotes que sempre se enxergava como um São Sebastião. Amado e usado ao mesmo tempo. Rememorava a truculência e a perversão do que havia acontecido horas antes, podendo recordar as sensações, as cenas, os cheiros, os sabores de maneira extremamente vívida, como se estivesse vivendo aquilo naquele instante. A consciência pesando duas toneladas; e a tentação alçando voo livre pelo ar. Pensando em Tuca; em Mika; novamente em Tuca. Será que ele vai estar lá novamente?