quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

[+18] O CALCANHAR DE AQUILES (PARTE 4 DE 4)



Muitas versões sobre o verdadeiro motivo do término entre Rouge e Pitt chegaram até mim. Mas a que me parecia mais verídica, dado o que eu sabia, era a de que Rouge havia o cobrado sobre uma falta de intensidade na relação por parte dele, ou coisa assim. Ele se defendeu dizendo que esse era o jeito dele e que ele estava sendo intenso sim; não entendia o porquê dela estar fazendo esse tipo de cobrança. Parece então que ela havia dito que ele não era intenso como deveria ser, e que isso devia ser por causa que ele não a desejava mais, se é que já a havia desejado, e que ela era uma idiota por estar se doando tanto a um relacionamento onde não havia reciprocidade, e várias coisas desse tipo, finalizando que seria melhor eles terminarem do que continuar daquela forma. E então ele teria dito que tudo bem, se ela não estava sendo feliz, era melhor eles terminarem mesmo. Só que parece que ela havia se arrependido de propor aquilo, e até tentou voltar atrás, mas ele não quis mais saber. Após o término, ela deixou de frequentar os treino da equipe. As garotas da equipe se assanharam com a novidade, ao mesmo tempo que se angustiavam com o impasse entre investir em Pitt, e o baque de um possível fora; ou aguardar um momento mais propício e de mais ousadia, e correr o risco de acabar vendo alguma das outras aproveitar-se da brecha. Eu sentia uma certa pena de todas elas, assim como eu já havia sentido de mim mesmo por ter fantasiado com ele, antes de Rouge desabafar comigo. Talvez aquela história da poc da natação fosse real. Talvez nenhuma daquelas garotas, ou qualquer outra, fosse capaz de suprir aquilo que Pitt realmente desejava.Talvez para ele o tesão estivesse em ter um homem de joelhos ao seus pés; a boca masculina pressionando sua rola entre a língua e o céu da boca, com vontade; a glande deslizando entre as bochechas flácidas; a baba melando o rosto áspero. Com o passar dos dias, vi a lacuna dos meus desejos sexuais ser novamente preenchida por Pitt. E lá estávamos nós novamente: chupando, metendo, gemendo e gozando no mundo lascivo da minha imaginação. E de todas as minhas mil fantasias sexuais em que ele era o protagonista, a minha favorita era vê-lo de costas sentado entre as coxas peludas de um homem; as mãos apoiadas nos joelhos do homem; suas dorsais e ombros vibrando, e ele empinado, quicando devagarinho com sua bunda dura e redonda, gemendo sôfrego; enquanto seu celular vibra sobre a escrivaninha. Diversas garotas perguntando como havia sido o dia dele, ou o que ele iria fazer no próximo sábado, ou se ele iria na festa x, ou na y; mandando memes engraçadinhos ou nudes. Enquanto lá está ele, com seu gemido rouco, quicando audaciosamente. Denovo, denovo e denovo. O detalhe do celular vibrando era importante, o mais importante. A fantasia não era a mesma sem ele. E o homem para quem ele estaria dando não era eu, apesar de eu ver a cena através de seus olhos. Não tinha rosto nem nome. Colocar-me no lugar do tal homem reduzia consideravelmente o tesão que eu extraía da fantasia, por mais que isso faça pouco sentido. Consigo até pressupor algumas explicações para isso, mas uma fantasia sexual não deve explicações a ninguém. Toda essa perversão envolvendo Pitt, forçosamente reprimida nos confins da minha mente, tornava o sexo que eu raramente tinha com Hugo ainda mais enfadonho. E até mesmo a sensação de obrigação, parecida com a que fez meus pais continuarem transando durante a primeira década de casados, eu já havia perdido. Ele se mostrava cada vez mais indisponível a mim, e as conversas que precediam as pegações - cada vez menos frequentes - se tornaram cada vez mais rasas. Até que, certo dia, ele sugeriu que não deveríamos ficar presos um ao outro. Éramos jovens, os hormônios à flor da pele, tínhamos mais é que aproveitar a melhor fase de nossas vidas. Eu sabia muito bem o que isso queria dizer: ele apenas queria fazer sem remorso as coisas que já vinha fazendo há algum tempo. Eu ingenuamente desabafava com Mika sobre Hugo, sem saber a quem ela manteria lealdade; e Mika desoladamente desabafava comigo sobre Tuca, por eu ser a única pessoa que provavelmente não a esculacharia. Nos aconselhávamos sem ter ideia do que dizíamos, apenas porque é preciso demonstrar afeto e dizer coisas consoladoras nesses momentos. Era comum ela chorar e explicar suas angústias de uma maneira lírica, como quando se disse acorrentada sentimentalmente por Tuca; refém de uma paixão que parecia que jamais iria libertá-la; e quanto mais ela lutasse contra o desejo de desejar-lo, mais ela o desejava. Eu a abraçava enquanto ela chorava sobre meu ombro, impressionado pela forma como ela soava poética em seus momentos de tristeza. É comum que as pessoas falem, principalmente aquelas que tem o costume de ler auto-ajuda, sobre o poder do pensamento positivo, e de como você é capaz de atrair as coisas que mentaliza. Sempre achei que isso fosse balela, mas me senti um pouco mais propenso a acreditar nessa teoria quando Pitt veio me parabenizar após os 5000 metros que eu havia acabado de correr, oferecendo a mim uma garrafa d’água. Era a segunda ou terceira vez que eu estava competindo essa prova, e sempre que eu a finalizava, sentia uma sensação de morte se alastrando por todo o meu corpo, concentrando-se principalmente na garganta. A garrafa d’água de Pitt foi duplamente milagrosa: primeiro, pela água; segundo, por vir de Pitt. Ele começou a me elogiar pela corrida (por mais que eu não tivesse feito uma boa prova), dizendo que eu havia evoluído muito desde que comecei a treinar, e não iria demorar até que eu estivesse no mesmo nível dos melhores da categoria. Ajudou-me a levantar, e afastou-se dizendo que, para o que eu precisasse, eu poderia contar com ele, deslizando de leve a mão sobre meus ombros. “Para o que você precisar”. Essas palavras passaram a ecoar em minha cabeça de uma maneira ferrenha à partir daquele instante. Qual seria a amplitude desse “o que você precisar”? Seria só para o que eu precisasse, ou também para o que eu desejasse? Eu começava a sentir, aos poucos, esperança na possibilidade de meus desejos se materializarem, como alguém que já se vê morador de uma casa cujo projeto ainda está na planta. E depois que trocamos alguns olhares - não digo olhadas corriqueiras, mas sim aquelas mais demoradas, mais caprichadas - e uns sorrisos discretos nos dias seguintes, foi como se os primeiros tijolos e vigas começassem a ser fincados no chão. Após alguns treinos admirando Pitt de longe - a confiança dele ao arremessar o dardo; seu sorriso de satisfação quando o lançamento beirava a perfeição; sua frustração contida quando o lançamento não saia como o esperado; o maldito short térmico! - foi que tive a convicção de que precisava saciar o meu desejo de qualquer maneira. E também que deveria terminar de uma vez com Hugo. Eu nunca tinha tido um relacionamento antes, se é que posso chamar o que tinha com Hugo de relacionamento, e não fazia a mínima ideia de como terminar com alguém sem parecer insensível ou rude. Tentei ignorá-lo, na esperança de que ele decidisse terminar ou então desistisse de mim. Mas isso só fez com que ele ficasse mais insistente e grosseiro, e eu não pude mais ignorá-lo sem sentir-me culpado. Eu tinha que tomar coragem e terminar logo de uma vez. E por mais que as etiquetas de um bom término recomende fortemente que ele seja feito pessoalmente, eu não tive coragem o suficiente nas oportunidades que apareceram. Decidi que faria por mensagem, antes do treino, para que a ansiedade provocada pelo aguardo de sua resposta não comprometesse minhas outras tarefas do dia-a-dia. Minha estratégia para fugir da devida ansiedade não foi muito efetiva, e eu não consegui passar mais que alguns poucos minutos sem mentalizar suas possíveis respostas durante o treino. O modo disperso e calado, mais do que o comum, com que me portei no treino foi notado por todos aqueles que me conheciam minimamente, tenho quase certeza disso. Mas foi apenas Mika, pelo maior nível de intimidade, que veio me perguntar se estava tudo bem. “Está sim”, eu disse. “Mesmo?! Você sabe que pode contar comigo para o que precisar, não sabe?!” “Eu sei. Mas tá tudo bem...“ “Ah, então tá...“ Disse ela, dando as costas, sabendo que não estava nada bem. Quando o treino acabou, sem me despedir de ninguém, fui direto à minha mochila, e peguei meu celular. Que história é essa de que você precisa de um tempo para focar na sua vida? Desde quando eu não te deixo livre pra fazer o que você quiser? Eu sou idiota agora?? Porque você não para com essa conversinha fiada e fala logo que você não quer mais. Que tu tá doido pra dar esse seu rabinho branco pra outro macho. Você acha que eu não te conheço, viado?? Dizia Hugo, em uma série de mensagens, respondendo à minha sugestão de término. Olha, eu não disse que é você quem está me privando de fazer o que eu quero. Mas estou tentando seguir seu conselho. Somos jovens, precisamos nos sentir livres. ir atrás daquilo que realmente desejamos. E eu sinto que estar junto com você não é algo que eu realmente deseje. Isso está fazendo eu me sentir preso, e eu não quero me sentir assim. Não quero que você se sinta assim também. Isso é o melhor pra nós dois. Após respondê-lo, notei que já não havia mais quase ninguém da equipe na pista, e fui indo em direção ao vestiário. Quando cheguei lá, alguns poucos homens seminus estavam vestindo-se ou despindo-se, e era possível ouvir o chiado dos chuveiros do outro lado da parede do vestiário. Eu gostava de ir ao vestiário quando ele estava o mais vazio possível. Além de minha timidez, sentia-me desconfortável com todos aqueles homens héteros indo de um lado para o outro, gargalhando alto, falando sobre futebol na grande maioria das vezes. Eu também temia que algum deles cismasse comigo, dizendo que eu havia o olhado demais, e tentasse me agredir de alguma forma. Eu me despi, de cabeça baixa, enrolando-me numa toalha em seguida. Sentei no banco encostado na parede, aguardando que o vestiário esvaziasse mais. Voltei ao celular. Hugo havia acabado de enviar mensagem. Ah, olha só como ela é empática. Vou chorar. Para com esse teatrinho que a mim você não engana. Pra quem é que você tá querendo dar, me diz logo - Eu podia até imaginá-lo esbravejando ao digitar cada palavra do texto. Para de ser infantil. Eu só não quero mais. Nem tudo na vida é do jeito que queremos, e você precisa aceitar isso. Você foi muito importante para mim, e com certeza me ajudou a evoluir muito. Mas acho que não estamos mais na mesma sintonia. Quanto antes aceitarmos isso, menos dolorido será para nós - Eu tremia enquanto respondia à suas mensagens, transpirando sob as axilas. Agarrei-me ao celular impacientemente. Senti-o vibrar. Quer saber? Foda-se!!! Você nunca soube foder mesmo. Desfaleci por completo, como se meus ossos tivessem se transformado em gelatina de uma hora para outra, passando a sentir meu corpo inteiro mole e bambo. Recostei minha nuca na parede, olhando diretamente para a forte luz do teto. Eu respirava fundo, enquanto buscava recuperar minhas forças e meu ânimo. Comecei a pensar sobre Hugo e em como essas coisas de relacionamento eram complicadas e difíceis. Pensei em como eu jamais queria tivéssemos terminado daquela maneira. “Foda-se!!! Você nunca soube foder mesmo.” Eu podia sentir essa frase sendo talhada em algum canto escondido do meu cérebro, provocando em mim uma dor angustiante. Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. “Pônei, tá tudo bem?” Deslizei meus olhos em direção àquela voz conhecida. Era Tuca. Os cabelos compridos e pretos, a barba e os pêlos do corpo ainda úmidos; uma toalha cor mostarda estava presa à sua cintura. “Sim, está sim. Não é nada…” Respondi, um tanto surpreso, apressando-me para enxugar as lágrimas dos olhos e do rosto; tentando disfarçar a expressão amassada da face. “Tem certeza?!” Disse ele, aproximando-se de mim aos poucos. “Tenho sim, não se preoc…” Quando me dei conta, ele estava a uns dois palmos de distância de mim, inerte. Senti meu coração acelerar. Olhei para cima, em direção aos seus olhos, e pude notar toda a malícia reprimida em seu olhar. Olhei ao redor. O vestiário estava vazio, somente eu e ele. Não havia mais chiado de chuveiro. Ele começou a deslizar sua mão áspera em meu rosto, secando o trajeto de minhas lágrimas com o polegar. Eu não sabia o que fazer. O polegar, rondando o meu rosto, percorreu em direção aos meus lábios, alisando-os suavemente, pedindo permissão para transpassá-los. Confuso, Olhei novamente em direção a seus olhos, que me encaravam com uma superioridade devassa. Abri meus lábios, e seu polegar penetrou em minha boca com volúpia. Já me sentindo parte de seu jogo, comecei a chupar seu dedo espesso e peludo, enquanto ele o deslizava sobre minha língua. Tirou o polegar de minha boca, aproximando ainda mais a toalha mostarda de meu rosto, e o volume protuberante que ela falhava em esconder. Respirei fundo. Deixando a toalha deslizar cintura abaixo, ele me expôs uma rola inflada envolta por uma moita de pêlos pubianos desgrenhados, pedindo para ser chupada. Eu fiquei paralizado. E se me vissem naquela situação, com o namorado de minha melhor amiga?! Ele parecia não dar a mínima. Não falava nada. Poderia esperar ali em pé até o amanhecer, sabia que eu iria ceder em algum momento. Eu cedi. Segurei a rola com firmeza; tomei fôlego; e avancei minha boca nela. Comecei a chupá-la com apetência, enquanto ele suspirava vitoriosamente. Sentindo-se mais excitado, com a respiração mais pesada, ele passou a forçar a mão contra a minha nuca, enquanto empurrava o pau contra a minha garganta o mais fundo que podia. Eu fazia resistência com minha cabeça, só para que ele se sentisse mais desafiado, e colocasse ainda mais força nos movimentos. Ele acabou avançando com muito ímpeto, fazendo com que eu me engasgasse. Afastei minha boca do pau por reflexo; e filetes de baba ligavam meus lábios à glande. Limpei minha boca e rosto com as costas das mãos, e me levantei, determinado a pôr um fim naquilo tudo. Sem olhá-lo, comecei a mexer em minha mochila, procurando minhas roupas limpas. Ninguém havia visto aquilo, ainda bem, e era melhor eu não continuar correndo um risco tão grande e indecoroso como aquele. Foi quando, como se lesse meus desejos mais profundos, ele segurou em meu pulso com força, e me arrastou para trás da parede, na zona dos chuveiros. Ao chegar lá, ele me jogou contra a parede; e, prensando-me, colou sua boca na minha, em um beijo cuja ferocidade foi tamanha que acabou ferindo meu lábio superior. “Quer voltar a chupar, não quer?!”
Respondi-o com um olhar sedento e arisco. Ele apoiou sua mão sobre minha cabeça, deixando-me de joelhos, encurralado entre a parede e o pau. Segurando meus cabelos com agressividade, forçou-me a ir cada vez mais fundo; a engolir com cada vez mais ânsia. Seu gemido era carregado de autoridade, e ele se deliciava em estar no comando da situação. Em um momento de distração, veio em minha mente a imagem de Mika falando comigo momentos antes “Você sabe que pode contar comigo para o que precisar, não sabe?!” Comecei então a engolir o pau com ainda mais fervor, para afastar-me rapidamente daquele pensamento, o que fez Tuca começar a urrar de prazer. Eu o olhava nos olhos, e sentia toda a truculência em seu olhar; via seu sorriso sádico ao me pressionar contra a parede, e me ver engasgar ao engolir o máximo que eu conseguia. “Levanta.” Disse, puxando-me pelos cabelos. “Coloca suas mãos na parede.” Coloquei. “Abra as pernas.” Abri. “Agora empina.” Empinei, deixando minha coluna parecida com um “S”. Ele pressionou meu rosto contra parede com uma das mãos; e com a outra, abriu uma de minhas nádegas. Começou a esfregar o pau entre as nádegas, roçando vagarosamente em meu cu, atiçando-me. Eu já não aguentava mais de tesão, estava quase implorando para que ele começasse a me foder. “Mete.” Suspirei. “Quer que eu meta?!” “Quero.” Bruto, ele foi me penetrando aos poucos, sem respeito. Gemi de dor e de prazer. Mais prazer do que dor. Eu era enrabado com força; sentia-me esfolado por dentro; enquanto o impacto em minhas nádegas era amortecido pelos pêlos pubianos. Recebi um tapa pesado na bunda, que ardeu e fez estalo. Amei. Pedi que ele desce mais um. E torci para que fizesse ainda mais barulho. Que todos ouvissem e viessem me ver, uma putinha assanhada e traíra, toda arreganhada, sendo fodida sem cerimônia pelo macho da melhor amiga; masturbando-se ao imaginar o deleite sádico que ele está tendo; jogando sua bunda de encontro ao pau; sentindo-o empurrar com cada vez mais pressão; o pulsar do gozo cada vez mais forte; e ele socando cada vez mais; cada vez mais; cada vez mais; cada vez mais....! Enquanto sentia o fervor leitoso escorrendo e melando minha mão, sentia-o esquichando em meu interior; esparramando-se; fluindo lentamente em seguida. “Isso-é-horas?!” Minha mãe interpelou-me assim que fechei a porta de casa. “Isso é horas, menino?! Onde você tava, ein?! O que você tava fazendo?! O que v...Espera, volta aqui! Volta aqui! Desça essas escadas agora e volte aqui! Nem pense em se tr…” Tranquei-me em meu quarto. Atirei-me na cama e passei a me revirar em meus pensamentos inquietantes. O jeito sádico, rude, desrespeitoso e autoritário com que Tuca havia me tratado ainda reverberava em minha mente e corpo. Eu nunca havia sentido tanto prazer antes em toda a minha vida. Lembrava e relembrava toda aquela devassidão; o instante em que finalizamos, sem trocarmos uma palavra sequer; o momento em que nos vestimos e deixamos aquele lugar, cada um indo para um canto, feito dois completos estranhos, como se nada houvesse acontecido. Eu vinha ruminando aquilo durante todo o trajeto até minha casa. O melhor sexo da minha vida havia sido com o namorado da minha melhor amiga. Aquela que havia chorado em meu ombro por causa dele, e que confiava em mim mais do que em qualquer um. Que havia me dito: “Você sabe que pode contar comigo para o que precisar, não sabe?!” Eu, que o detestava, havia me entregue a ele daquela maneira, sem dignidade. E o pior: sem qualquer arrependimento genuíno. Se eu fosse reviver eternamente aquele mesmo dia, sabendo tudo o que aconteceria e todas as suas consequências, lá estaria eu naquele vestiário novamente, ansioso para ser tratado como uma cadela no cio. Ao mesmo tempo em que eu jurava que aquilo jamais iria se repetir, eu rolava em minha cama, sentindo uma expectativa impaciente, fantasiando com o fim do próximo treino, naquele mesmo vestiário. Ele estaria lá novamente? Somente nós dois? Senti meu celular vibrar em meu bolso. Era Mika. Pô, eu fiquei sabendo. Senti um estalo em meu peito. Parecia que meu corpo estava ficando cada vez mais pesado, e eu passava a me afundar aos poucos no colchão, sem forças para resistir. Minha respiração ficou aflita; e meus dedos, frenéticos. Oii, sobre o quê? A ansiedade parecia arranhar o interior da minha cabeça e peito, enquanto o celular fervia em minhas mãos. Vibrou. O Hugo me contou que vocês terminaram. Eu percebi que você não estava se sentindo muito bem no treino. Você está melhor agora? Foi como se minha alma levitasse e fluísse para fora do meu corpo, tamanho o alívio que senti naquele instante. Tudo bem. Eu estou bem sim. Um pouco triste, mas acho que vai passar. Obrigado por se preocupar. Denada, meu lindo. Conte comigo sempre que você precisar. Ah, preciso te contar uma coisa - disse ela, continuando com as mensagens - Terminei com o Tuca. Finalmente. Só de ler aquele nome, meu coração começou a palpitar. Ela continuou contando, dizendo que havia terminado com ele há uns dois dias, mas só estava me contando agora porque só agora tinha tido coragem de excluí-lo e bloqueá-lo de todas as redes sociais, algo que nunca havia feito antes. Tinha certeza que agora era pra valer. Nunca daria certo. Nunca deu - Disse ela - E eu estou muito feliz de ter tido a coragem de pôr um ponto final nisso. Eu estou feliz por você! Acho que realmente nunca daria certo. Ela disse que estava com sono, o dia havia sido muito puxado, e ela precisava pregar os olhos. Deu boa noite. Disse que me amava e que estaria sempre ao meu lado, convidando-me, em seguida, para fazer a maratona de uma nova série disponível na Netflix, em algum dia em que o Hugo não estivesse lá. Eu disse que iria adorar hahaha. Dei boa noite, dizendo que também a amava, e eu era muito sortudo por ter ela em minha vida. Ela me respondeu com coraçõezinhos. E foi isso. Passei a noite inteira me revirando agitado na cama. Eu era a pior pessoa do mundo, e a mais sortuda também. Uma raposa que bate as asas e cacareja, infiltrada em um galinheiro, sem levantar qualquer tipo de suspeita. Um Judas Iscariotes que sempre se enxergava como um São Sebastião. Amado e usado ao mesmo tempo. Rememorava a truculência e a perversão do que havia acontecido horas antes, podendo recordar as sensações, as cenas, os cheiros, os sabores de maneira extremamente vívida, como se estivesse vivendo aquilo naquele instante. A consciência pesando duas toneladas; e a tentação alçando voo livre pelo ar. Pensando em Tuca; em Mika; novamente em Tuca. Será que ele vai estar lá novamente?

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