quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

UM TEXTO PSEUDO-MOTIVACIONAL DE FIM-DE-ANO

Há quase dez anos eu fui acusado injustamente de ser um plagiador pela minha professora de português.
Ela era professora eventual e havia passado uma atividade de produção de texto com o tema relacionado à conservação da natureza, ou coisa assim. Eu estava na 6ª série, e desde sempre amava produções de texto: era uma das raras oportunidades de se poder estimular a criatividade na escola. O título do texto que escrevi era "O Grego Centenário". Era sobre um grego centenário - "deeeer" - que se dedicava a cuidar de seu jardim sem nenhum arrependimento sobre a vida que havia levado, falando sobre espécies de flores e fazendo referências a divindades da mitologia grega. Não era o tipo de texto que se espera de alguém de 11-12 anos, ainda mais da rede pública.

Algumas semanas depois da entrega dos textos, recebo ele corrigido, com um "5,0" no topo, acompanhado de um "Não era pra copiar!"
Fiquei arrasado!
Um 5,0 era uma nota tenebrosa pra mim naquele tempo - naquele tempo -, ainda mais acompanhado daquele recado. Eu me senti tremendamente injustiçado. Reclamei para um amigo, meu único, e ele ficou tão inconformado quanto eu, sugerindo que fossemos reclamar com ela.
Não quis.
Tive medo que, por uma estranha coincidência, eu tivesse escrito um texto muito parecido com algum já escrito por alguém, em algum momento, em alguma parte do mundo. Mas meu maior medo, sendo o tímido que sou, era reclamar algo com alguém. Talvez só os tímidos me entendam aqui, mas muitas vezes preferimos sair injustiçados, do que fazer o esforço homérico que é para nós recorrer contra essa injustiça. 

E porque eu estou contando essa história que nada interessa a vocês?! É porque se, naquele momento, eu me senti completamente triste e impotente, hoje eu sinto orgulho desse episódio: o fato de a professora ter achado que eu tivesse plagiado o texto, só me mostra que desde cedo eu tive uma certa aptidão literária, e pensar nisso me faz nunca querer desistir de seguir tal inclinação, por mais ingrata e tortuosa que ela me pareça.
Talvez você esteja, neste exato momento, passando algum momento de grande tristeza, sentindo-se fraco, humilhado, incapaz de perseguir a felicidade que cada vez se afasta mais ao horizonte. Mas existe outro você, em alguma parte do futuro, que está se lembrando do atual momento em que você se encontra com um sorriso de canto de lábio, completamente orgulhoso de sua resiliência, por ter conseguido passar pelos momentos mais difíceis quando eles pareciam impossíveis de serem vencidos. É totalmente compreensivo com sua tonelada de erros, pois foram eles que te mostraram os caminhos certos a seguir, e as pessoas certas a te acompanhar neles.
E você está lá, no futuro, com a mesma paz de espírito e satisfação do meu grego centenário, rindo da própria tolice por ter pensado que essa sua tristeza fosse mais eterna que você (Chegue você aos cem anos ou não).





Um feliz Natal e próspero ano novo para você,
que, vez ou outra,
aparece aqui pelo blog!
(Para aqueles que não aparecem também,
mas que o de vocês sejam melhores.)

Até 2018!

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