quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

[+18] O CALCANHAR DE AQUILES (PARTE 4 DE 4)



Muitas versões sobre o verdadeiro motivo do término entre Rouge e Pitt chegaram até mim. Mas a que me parecia mais verídica, dado o que eu sabia, era a de que Rouge havia o cobrado sobre uma falta de intensidade na relação por parte dele, ou coisa assim. Ele se defendeu dizendo que esse era o jeito dele e que ele estava sendo intenso sim; não entendia o porquê dela estar fazendo esse tipo de cobrança. Parece então que ela havia dito que ele não era intenso como deveria ser, e que isso devia ser por causa que ele não a desejava mais, se é que já a havia desejado, e que ela era uma idiota por estar se doando tanto a um relacionamento onde não havia reciprocidade, e várias coisas desse tipo, finalizando que seria melhor eles terminarem do que continuar daquela forma. E então ele teria dito que tudo bem, se ela não estava sendo feliz, era melhor eles terminarem mesmo. Só que parece que ela havia se arrependido de propor aquilo, e até tentou voltar atrás, mas ele não quis mais saber. Após o término, ela deixou de frequentar os treino da equipe. As garotas da equipe se assanharam com a novidade, ao mesmo tempo que se angustiavam com o impasse entre investir em Pitt, e o baque de um possível fora; ou aguardar um momento mais propício e de mais ousadia, e correr o risco de acabar vendo alguma das outras aproveitar-se da brecha. Eu sentia uma certa pena de todas elas, assim como eu já havia sentido de mim mesmo por ter fantasiado com ele, antes de Rouge desabafar comigo. Talvez aquela história da poc da natação fosse real. Talvez nenhuma daquelas garotas, ou qualquer outra, fosse capaz de suprir aquilo que Pitt realmente desejava.Talvez para ele o tesão estivesse em ter um homem de joelhos ao seus pés; a boca masculina pressionando sua rola entre a língua e o céu da boca, com vontade; a glande deslizando entre as bochechas flácidas; a baba melando o rosto áspero. Com o passar dos dias, vi a lacuna dos meus desejos sexuais ser novamente preenchida por Pitt. E lá estávamos nós novamente: chupando, metendo, gemendo e gozando no mundo lascivo da minha imaginação. E de todas as minhas mil fantasias sexuais em que ele era o protagonista, a minha favorita era vê-lo de costas sentado entre as coxas peludas de um homem; as mãos apoiadas nos joelhos do homem; suas dorsais e ombros vibrando, e ele empinado, quicando devagarinho com sua bunda dura e redonda, gemendo sôfrego; enquanto seu celular vibra sobre a escrivaninha. Diversas garotas perguntando como havia sido o dia dele, ou o que ele iria fazer no próximo sábado, ou se ele iria na festa x, ou na y; mandando memes engraçadinhos ou nudes. Enquanto lá está ele, com seu gemido rouco, quicando audaciosamente. Denovo, denovo e denovo. O detalhe do celular vibrando era importante, o mais importante. A fantasia não era a mesma sem ele. E o homem para quem ele estaria dando não era eu, apesar de eu ver a cena através de seus olhos. Não tinha rosto nem nome. Colocar-me no lugar do tal homem reduzia consideravelmente o tesão que eu extraía da fantasia, por mais que isso faça pouco sentido. Consigo até pressupor algumas explicações para isso, mas uma fantasia sexual não deve explicações a ninguém. Toda essa perversão envolvendo Pitt, forçosamente reprimida nos confins da minha mente, tornava o sexo que eu raramente tinha com Hugo ainda mais enfadonho. E até mesmo a sensação de obrigação, parecida com a que fez meus pais continuarem transando durante a primeira década de casados, eu já havia perdido. Ele se mostrava cada vez mais indisponível a mim, e as conversas que precediam as pegações - cada vez menos frequentes - se tornaram cada vez mais rasas. Até que, certo dia, ele sugeriu que não deveríamos ficar presos um ao outro. Éramos jovens, os hormônios à flor da pele, tínhamos mais é que aproveitar a melhor fase de nossas vidas. Eu sabia muito bem o que isso queria dizer: ele apenas queria fazer sem remorso as coisas que já vinha fazendo há algum tempo. Eu ingenuamente desabafava com Mika sobre Hugo, sem saber a quem ela manteria lealdade; e Mika desoladamente desabafava comigo sobre Tuca, por eu ser a única pessoa que provavelmente não a esculacharia. Nos aconselhávamos sem ter ideia do que dizíamos, apenas porque é preciso demonstrar afeto e dizer coisas consoladoras nesses momentos. Era comum ela chorar e explicar suas angústias de uma maneira lírica, como quando se disse acorrentada sentimentalmente por Tuca; refém de uma paixão que parecia que jamais iria libertá-la; e quanto mais ela lutasse contra o desejo de desejar-lo, mais ela o desejava. Eu a abraçava enquanto ela chorava sobre meu ombro, impressionado pela forma como ela soava poética em seus momentos de tristeza. É comum que as pessoas falem, principalmente aquelas que tem o costume de ler auto-ajuda, sobre o poder do pensamento positivo, e de como você é capaz de atrair as coisas que mentaliza. Sempre achei que isso fosse balela, mas me senti um pouco mais propenso a acreditar nessa teoria quando Pitt veio me parabenizar após os 5000 metros que eu havia acabado de correr, oferecendo a mim uma garrafa d’água. Era a segunda ou terceira vez que eu estava competindo essa prova, e sempre que eu a finalizava, sentia uma sensação de morte se alastrando por todo o meu corpo, concentrando-se principalmente na garganta. A garrafa d’água de Pitt foi duplamente milagrosa: primeiro, pela água; segundo, por vir de Pitt. Ele começou a me elogiar pela corrida (por mais que eu não tivesse feito uma boa prova), dizendo que eu havia evoluído muito desde que comecei a treinar, e não iria demorar até que eu estivesse no mesmo nível dos melhores da categoria. Ajudou-me a levantar, e afastou-se dizendo que, para o que eu precisasse, eu poderia contar com ele, deslizando de leve a mão sobre meus ombros. “Para o que você precisar”. Essas palavras passaram a ecoar em minha cabeça de uma maneira ferrenha à partir daquele instante. Qual seria a amplitude desse “o que você precisar”? Seria só para o que eu precisasse, ou também para o que eu desejasse? Eu começava a sentir, aos poucos, esperança na possibilidade de meus desejos se materializarem, como alguém que já se vê morador de uma casa cujo projeto ainda está na planta. E depois que trocamos alguns olhares - não digo olhadas corriqueiras, mas sim aquelas mais demoradas, mais caprichadas - e uns sorrisos discretos nos dias seguintes, foi como se os primeiros tijolos e vigas começassem a ser fincados no chão. Após alguns treinos admirando Pitt de longe - a confiança dele ao arremessar o dardo; seu sorriso de satisfação quando o lançamento beirava a perfeição; sua frustração contida quando o lançamento não saia como o esperado; o maldito short térmico! - foi que tive a convicção de que precisava saciar o meu desejo de qualquer maneira. E também que deveria terminar de uma vez com Hugo. Eu nunca tinha tido um relacionamento antes, se é que posso chamar o que tinha com Hugo de relacionamento, e não fazia a mínima ideia de como terminar com alguém sem parecer insensível ou rude. Tentei ignorá-lo, na esperança de que ele decidisse terminar ou então desistisse de mim. Mas isso só fez com que ele ficasse mais insistente e grosseiro, e eu não pude mais ignorá-lo sem sentir-me culpado. Eu tinha que tomar coragem e terminar logo de uma vez. E por mais que as etiquetas de um bom término recomende fortemente que ele seja feito pessoalmente, eu não tive coragem o suficiente nas oportunidades que apareceram. Decidi que faria por mensagem, antes do treino, para que a ansiedade provocada pelo aguardo de sua resposta não comprometesse minhas outras tarefas do dia-a-dia. Minha estratégia para fugir da devida ansiedade não foi muito efetiva, e eu não consegui passar mais que alguns poucos minutos sem mentalizar suas possíveis respostas durante o treino. O modo disperso e calado, mais do que o comum, com que me portei no treino foi notado por todos aqueles que me conheciam minimamente, tenho quase certeza disso. Mas foi apenas Mika, pelo maior nível de intimidade, que veio me perguntar se estava tudo bem. “Está sim”, eu disse. “Mesmo?! Você sabe que pode contar comigo para o que precisar, não sabe?!” “Eu sei. Mas tá tudo bem...“ “Ah, então tá...“ Disse ela, dando as costas, sabendo que não estava nada bem. Quando o treino acabou, sem me despedir de ninguém, fui direto à minha mochila, e peguei meu celular. Que história é essa de que você precisa de um tempo para focar na sua vida? Desde quando eu não te deixo livre pra fazer o que você quiser? Eu sou idiota agora?? Porque você não para com essa conversinha fiada e fala logo que você não quer mais. Que tu tá doido pra dar esse seu rabinho branco pra outro macho. Você acha que eu não te conheço, viado?? Dizia Hugo, em uma série de mensagens, respondendo à minha sugestão de término. Olha, eu não disse que é você quem está me privando de fazer o que eu quero. Mas estou tentando seguir seu conselho. Somos jovens, precisamos nos sentir livres. ir atrás daquilo que realmente desejamos. E eu sinto que estar junto com você não é algo que eu realmente deseje. Isso está fazendo eu me sentir preso, e eu não quero me sentir assim. Não quero que você se sinta assim também. Isso é o melhor pra nós dois. Após respondê-lo, notei que já não havia mais quase ninguém da equipe na pista, e fui indo em direção ao vestiário. Quando cheguei lá, alguns poucos homens seminus estavam vestindo-se ou despindo-se, e era possível ouvir o chiado dos chuveiros do outro lado da parede do vestiário. Eu gostava de ir ao vestiário quando ele estava o mais vazio possível. Além de minha timidez, sentia-me desconfortável com todos aqueles homens héteros indo de um lado para o outro, gargalhando alto, falando sobre futebol na grande maioria das vezes. Eu também temia que algum deles cismasse comigo, dizendo que eu havia o olhado demais, e tentasse me agredir de alguma forma. Eu me despi, de cabeça baixa, enrolando-me numa toalha em seguida. Sentei no banco encostado na parede, aguardando que o vestiário esvaziasse mais. Voltei ao celular. Hugo havia acabado de enviar mensagem. Ah, olha só como ela é empática. Vou chorar. Para com esse teatrinho que a mim você não engana. Pra quem é que você tá querendo dar, me diz logo - Eu podia até imaginá-lo esbravejando ao digitar cada palavra do texto. Para de ser infantil. Eu só não quero mais. Nem tudo na vida é do jeito que queremos, e você precisa aceitar isso. Você foi muito importante para mim, e com certeza me ajudou a evoluir muito. Mas acho que não estamos mais na mesma sintonia. Quanto antes aceitarmos isso, menos dolorido será para nós - Eu tremia enquanto respondia à suas mensagens, transpirando sob as axilas. Agarrei-me ao celular impacientemente. Senti-o vibrar. Quer saber? Foda-se!!! Você nunca soube foder mesmo. Desfaleci por completo, como se meus ossos tivessem se transformado em gelatina de uma hora para outra, passando a sentir meu corpo inteiro mole e bambo. Recostei minha nuca na parede, olhando diretamente para a forte luz do teto. Eu respirava fundo, enquanto buscava recuperar minhas forças e meu ânimo. Comecei a pensar sobre Hugo e em como essas coisas de relacionamento eram complicadas e difíceis. Pensei em como eu jamais queria tivéssemos terminado daquela maneira. “Foda-se!!! Você nunca soube foder mesmo.” Eu podia sentir essa frase sendo talhada em algum canto escondido do meu cérebro, provocando em mim uma dor angustiante. Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. “Pônei, tá tudo bem?” Deslizei meus olhos em direção àquela voz conhecida. Era Tuca. Os cabelos compridos e pretos, a barba e os pêlos do corpo ainda úmidos; uma toalha cor mostarda estava presa à sua cintura. “Sim, está sim. Não é nada…” Respondi, um tanto surpreso, apressando-me para enxugar as lágrimas dos olhos e do rosto; tentando disfarçar a expressão amassada da face. “Tem certeza?!” Disse ele, aproximando-se de mim aos poucos. “Tenho sim, não se preoc…” Quando me dei conta, ele estava a uns dois palmos de distância de mim, inerte. Senti meu coração acelerar. Olhei para cima, em direção aos seus olhos, e pude notar toda a malícia reprimida em seu olhar. Olhei ao redor. O vestiário estava vazio, somente eu e ele. Não havia mais chiado de chuveiro. Ele começou a deslizar sua mão áspera em meu rosto, secando o trajeto de minhas lágrimas com o polegar. Eu não sabia o que fazer. O polegar, rondando o meu rosto, percorreu em direção aos meus lábios, alisando-os suavemente, pedindo permissão para transpassá-los. Confuso, Olhei novamente em direção a seus olhos, que me encaravam com uma superioridade devassa. Abri meus lábios, e seu polegar penetrou em minha boca com volúpia. Já me sentindo parte de seu jogo, comecei a chupar seu dedo espesso e peludo, enquanto ele o deslizava sobre minha língua. Tirou o polegar de minha boca, aproximando ainda mais a toalha mostarda de meu rosto, e o volume protuberante que ela falhava em esconder. Respirei fundo. Deixando a toalha deslizar cintura abaixo, ele me expôs uma rola inflada envolta por uma moita de pêlos pubianos desgrenhados, pedindo para ser chupada. Eu fiquei paralizado. E se me vissem naquela situação, com o namorado de minha melhor amiga?! Ele parecia não dar a mínima. Não falava nada. Poderia esperar ali em pé até o amanhecer, sabia que eu iria ceder em algum momento. Eu cedi. Segurei a rola com firmeza; tomei fôlego; e avancei minha boca nela. Comecei a chupá-la com apetência, enquanto ele suspirava vitoriosamente. Sentindo-se mais excitado, com a respiração mais pesada, ele passou a forçar a mão contra a minha nuca, enquanto empurrava o pau contra a minha garganta o mais fundo que podia. Eu fazia resistência com minha cabeça, só para que ele se sentisse mais desafiado, e colocasse ainda mais força nos movimentos. Ele acabou avançando com muito ímpeto, fazendo com que eu me engasgasse. Afastei minha boca do pau por reflexo; e filetes de baba ligavam meus lábios à glande. Limpei minha boca e rosto com as costas das mãos, e me levantei, determinado a pôr um fim naquilo tudo. Sem olhá-lo, comecei a mexer em minha mochila, procurando minhas roupas limpas. Ninguém havia visto aquilo, ainda bem, e era melhor eu não continuar correndo um risco tão grande e indecoroso como aquele. Foi quando, como se lesse meus desejos mais profundos, ele segurou em meu pulso com força, e me arrastou para trás da parede, na zona dos chuveiros. Ao chegar lá, ele me jogou contra a parede; e, prensando-me, colou sua boca na minha, em um beijo cuja ferocidade foi tamanha que acabou ferindo meu lábio superior. “Quer voltar a chupar, não quer?!”
Respondi-o com um olhar sedento e arisco. Ele apoiou sua mão sobre minha cabeça, deixando-me de joelhos, encurralado entre a parede e o pau. Segurando meus cabelos com agressividade, forçou-me a ir cada vez mais fundo; a engolir com cada vez mais ânsia. Seu gemido era carregado de autoridade, e ele se deliciava em estar no comando da situação. Em um momento de distração, veio em minha mente a imagem de Mika falando comigo momentos antes “Você sabe que pode contar comigo para o que precisar, não sabe?!” Comecei então a engolir o pau com ainda mais fervor, para afastar-me rapidamente daquele pensamento, o que fez Tuca começar a urrar de prazer. Eu o olhava nos olhos, e sentia toda a truculência em seu olhar; via seu sorriso sádico ao me pressionar contra a parede, e me ver engasgar ao engolir o máximo que eu conseguia. “Levanta.” Disse, puxando-me pelos cabelos. “Coloca suas mãos na parede.” Coloquei. “Abra as pernas.” Abri. “Agora empina.” Empinei, deixando minha coluna parecida com um “S”. Ele pressionou meu rosto contra parede com uma das mãos; e com a outra, abriu uma de minhas nádegas. Começou a esfregar o pau entre as nádegas, roçando vagarosamente em meu cu, atiçando-me. Eu já não aguentava mais de tesão, estava quase implorando para que ele começasse a me foder. “Mete.” Suspirei. “Quer que eu meta?!” “Quero.” Bruto, ele foi me penetrando aos poucos, sem respeito. Gemi de dor e de prazer. Mais prazer do que dor. Eu era enrabado com força; sentia-me esfolado por dentro; enquanto o impacto em minhas nádegas era amortecido pelos pêlos pubianos. Recebi um tapa pesado na bunda, que ardeu e fez estalo. Amei. Pedi que ele desce mais um. E torci para que fizesse ainda mais barulho. Que todos ouvissem e viessem me ver, uma putinha assanhada e traíra, toda arreganhada, sendo fodida sem cerimônia pelo macho da melhor amiga; masturbando-se ao imaginar o deleite sádico que ele está tendo; jogando sua bunda de encontro ao pau; sentindo-o empurrar com cada vez mais pressão; o pulsar do gozo cada vez mais forte; e ele socando cada vez mais; cada vez mais; cada vez mais; cada vez mais....! Enquanto sentia o fervor leitoso escorrendo e melando minha mão, sentia-o esquichando em meu interior; esparramando-se; fluindo lentamente em seguida. “Isso-é-horas?!” Minha mãe interpelou-me assim que fechei a porta de casa. “Isso é horas, menino?! Onde você tava, ein?! O que você tava fazendo?! O que v...Espera, volta aqui! Volta aqui! Desça essas escadas agora e volte aqui! Nem pense em se tr…” Tranquei-me em meu quarto. Atirei-me na cama e passei a me revirar em meus pensamentos inquietantes. O jeito sádico, rude, desrespeitoso e autoritário com que Tuca havia me tratado ainda reverberava em minha mente e corpo. Eu nunca havia sentido tanto prazer antes em toda a minha vida. Lembrava e relembrava toda aquela devassidão; o instante em que finalizamos, sem trocarmos uma palavra sequer; o momento em que nos vestimos e deixamos aquele lugar, cada um indo para um canto, feito dois completos estranhos, como se nada houvesse acontecido. Eu vinha ruminando aquilo durante todo o trajeto até minha casa. O melhor sexo da minha vida havia sido com o namorado da minha melhor amiga. Aquela que havia chorado em meu ombro por causa dele, e que confiava em mim mais do que em qualquer um. Que havia me dito: “Você sabe que pode contar comigo para o que precisar, não sabe?!” Eu, que o detestava, havia me entregue a ele daquela maneira, sem dignidade. E o pior: sem qualquer arrependimento genuíno. Se eu fosse reviver eternamente aquele mesmo dia, sabendo tudo o que aconteceria e todas as suas consequências, lá estaria eu naquele vestiário novamente, ansioso para ser tratado como uma cadela no cio. Ao mesmo tempo em que eu jurava que aquilo jamais iria se repetir, eu rolava em minha cama, sentindo uma expectativa impaciente, fantasiando com o fim do próximo treino, naquele mesmo vestiário. Ele estaria lá novamente? Somente nós dois? Senti meu celular vibrar em meu bolso. Era Mika. Pô, eu fiquei sabendo. Senti um estalo em meu peito. Parecia que meu corpo estava ficando cada vez mais pesado, e eu passava a me afundar aos poucos no colchão, sem forças para resistir. Minha respiração ficou aflita; e meus dedos, frenéticos. Oii, sobre o quê? A ansiedade parecia arranhar o interior da minha cabeça e peito, enquanto o celular fervia em minhas mãos. Vibrou. O Hugo me contou que vocês terminaram. Eu percebi que você não estava se sentindo muito bem no treino. Você está melhor agora? Foi como se minha alma levitasse e fluísse para fora do meu corpo, tamanho o alívio que senti naquele instante. Tudo bem. Eu estou bem sim. Um pouco triste, mas acho que vai passar. Obrigado por se preocupar. Denada, meu lindo. Conte comigo sempre que você precisar. Ah, preciso te contar uma coisa - disse ela, continuando com as mensagens - Terminei com o Tuca. Finalmente. Só de ler aquele nome, meu coração começou a palpitar. Ela continuou contando, dizendo que havia terminado com ele há uns dois dias, mas só estava me contando agora porque só agora tinha tido coragem de excluí-lo e bloqueá-lo de todas as redes sociais, algo que nunca havia feito antes. Tinha certeza que agora era pra valer. Nunca daria certo. Nunca deu - Disse ela - E eu estou muito feliz de ter tido a coragem de pôr um ponto final nisso. Eu estou feliz por você! Acho que realmente nunca daria certo. Ela disse que estava com sono, o dia havia sido muito puxado, e ela precisava pregar os olhos. Deu boa noite. Disse que me amava e que estaria sempre ao meu lado, convidando-me, em seguida, para fazer a maratona de uma nova série disponível na Netflix, em algum dia em que o Hugo não estivesse lá. Eu disse que iria adorar hahaha. Dei boa noite, dizendo que também a amava, e eu era muito sortudo por ter ela em minha vida. Ela me respondeu com coraçõezinhos. E foi isso. Passei a noite inteira me revirando agitado na cama. Eu era a pior pessoa do mundo, e a mais sortuda também. Uma raposa que bate as asas e cacareja, infiltrada em um galinheiro, sem levantar qualquer tipo de suspeita. Um Judas Iscariotes que sempre se enxergava como um São Sebastião. Amado e usado ao mesmo tempo. Rememorava a truculência e a perversão do que havia acontecido horas antes, podendo recordar as sensações, as cenas, os cheiros, os sabores de maneira extremamente vívida, como se estivesse vivendo aquilo naquele instante. A consciência pesando duas toneladas; e a tentação alçando voo livre pelo ar. Pensando em Tuca; em Mika; novamente em Tuca. Será que ele vai estar lá novamente?

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

[+18] O CALCANHAR DE AQUILES (PARTE 3 DE 4)



Minha mãe havia mesmo surtado. E surtou novamente quando me viu. “Onde você tava, ein?! On-de vo-cê ta-va?!” Urrou pausadamente ao aproximar-se de mim, parecendo não saber se me abraçava ou se me esganava de uma vez. “Numa festa”. E então ela deu início a um interrogatório ferrenho: Que festa?! Com quem?! Onde você dormiu?! Você sabe a preocupação que eu passei?! Eu iria ligar pra polícia! Por que você não atendeu minhas ligações?! O quê?! Bebeu?! Bebeu! A voz dela começou a ficar embargada enquanto ela falava que eu não fazia ideia de como é ser mãe, e que eu não dava a mínima pra ela mesmo depois de tudo que ela havia feito e fazia por mim, que eu era um menino tão amoroso, tão dedicado, tão estudioso! E depois que eu comecei a andar com essa gente da faculdade eu havia mudado completamente, e ela já não sabia mais quem eu era. Por que eu estava fazendo aquilo com ela, por quê?! E chorou, como se soubesse tudo o que havia acontecido na noite passada - e talvez soubesse. Ela me proibiu de ir a outras festas, e passou a me mandar mensagens quase todos os dias assim que anoitecesse. Mas mesmo que não houvesse proibição, eu já não sentia mais vontade de ir em festa alguma, como não havia sentido daquela vez. Não importava mais se aquela história sobre o Pitt era verdadeira. Ele e Rouge estavam juntos agora, e eu já não queria mais vê-lo por perto. E o pior de tudo é que tinhamos de ler, eu e as outras meninas da equipe, como ele era um foooooofo, que sempre dava bom dia, perguntava se ela tinha dormido bem, que aula ela iria ter, se ela iria para o treino, se ela havia tido um dia bom, e depois de dizer diversas coisas fofas durante o dia, sempre dava um boa noite cheio de coraçõezinhos. O ranço em comum por Rouge aproximou-me mais das outras meninas da equipe. E se antes elas já se sentiam desinibidas para falarem de assuntos íntimos na minha presença, algumas delas me elegeram como conselheiro amoroso e sexual, e era comum que viessem até mim desabafar sobre alguma mancada do boy lixo ou me mostrar algum nude que haviam recebido, como se buscassem minha aprovação para decidir quais pirocas deveriam pôr na boca. Eu gostava de exercer esse papel, e me portava como se eu realmente entendesse sobre amor e sexo, mesmo sendo mais inexperiente nesses assuntos que a grande maioria delas. Depois de um tempo, era impossível não associar os garotos, quando os via, com seus respectivos nudes. Eu finalmente passei a me sentir acolhido pela equipe. Não que eu não tivesse sido acolhido antes, mas agora eu me sentia como se eu fosse alguém realmente importante nela. Dedicava-me mais aos treinos; participava das conversas jogadas fora nos grupos de WhatsApp; e era conhecido por aqueles que não faziam parte da equipe como “Pônei, do atletismo”. Os convites para festas tornaram-se mais frequentes, e não só feitos por Mika. Respondia dizendo que não ia dar, tinha que estudar pra alguma prova ou terminar algum trabalho. Aqueles meses de treino também trouxeram resultados em meu corpo, e eu passei a tomar gosto em admirar-me nu frente ao espelho. Era a primeira vez na vida que eu me achava verdadeiramente sensual para alguém, não só para mim mesmo. E acredito que eu realmente estava sensual, pois passei a trocar olhares com alguns meninos com certa frequência, isso quando não vinham até mim, fosse de forma direta, pessoalmente ou por Facebook, ou fosse por intermédio de minhas amigas, que vinham geralmente me dizer como seu amigo tinha me achado gatinho e queria me dar uns beijo. Conversei com alguns; e uns poucos destes eu cheguei mesmo a beijar, quando não eram apressados demais ou não tinham a exigência de que o beijo ocorresse na próxima festa em tal lugar. Com nenhum deles a coisa foi muito além disso, exceto com o Hugo. Sempre foi comum, depois que nos tornamos próximos, que Mika me convidasse para ir na sua república. Eu havia recusado todas as vezes antes de ir até lá com Hugo, usando sempre alguma desculpa clichê. Mas depois daquele dia, ela passou a fazer os convites com uma nova expectativa, mais entusiasmada, como se eu já fosse íntimo daquele apartamento. “Você vai, né?!” “Acho que sim...” “Acha?!” “Não sei...Ah, vou sim.” “Ótimo! Então, a Giza vai; o Bruno; a Talita, aquela que era minha best no ensino médio, que eu já te contei. Deixa eu ver quem mais…” Para toda e qualquer atividade que Mika fosse realizar no seu apartamento que pudesse ser melhor feita em companhia eu era convidado. Elas iam desde fazer uma maratona de alguma série, à participar de alguma festinha que estivesse sendo dada por alguém que morasse na república. “Tá, eu vou. Só não posso ficar muito...preciso estudar pra prova”. Hugo não estava presente na maioria das vezes que fui lá, mas nas festinhas ele sempre estava. Em todas elas, logo após os convidados mais interessantes chegarem, sempre rolavam alguns joguinhos envolvendo bebidas e verdades comprometedoras. Ninguém era completamente sincero neles, e era comum que as pessoas mentissem para parecerem menos - ou mais - piranhas do que de fato eram. Hugo era o único que parecia não esconder ou inventar nada. Não precisava disso. Ele aparentava viver sua vida de um jeito tão singular, que até mesmo os acontecimentos mais surreais pareciam ser verídicos partindo dele. Cagava para o que os outros pensassem, desde que gastassem algum tempo pensando nele. Isso tudo, de alguma forma, me atraía. Eu começava a me liberar de todos os bloqueios que eu tinha com ele desde “aquele dia”. Hugo passou então a preencher os vácuos no meu pensamento que antes eram preenchidos por Pitt; e que antes de Pitt eram preenchidos por meninos tão inacessíveis quanto ele. Mas naquele momento parecia que, depois de tantas vezes gostar de pessoas que eu sabia que nunca me corresponderiam, o amor era para mim uma possibilidade real, tão próxima que poderia ser tocada de leve. Estava gostando dele; talvez estivesse apaixonado. Talvez. Nosso primeiro beijo após aquele dia aconteceu em um Verdade ou Desafio numa daquelas festas, no qual pela primeira vez eu beijei uma garota. Depois daquele beijo, em Hugo, se seguiram vários outros. Ficamos depois nessa mesma festa, antes de eu me despedir apressado dizendo que minha vó iria em casa e eu precisava ir. E ficávamos sempre que eu fosse até aquele apartamento e ele estivesse lá; ou quando ele me convidava a aparecer no fim do treino de natação; ou quando ele me mandava mensagem falando que queria ficar. Mas, no início, só ficávamos. Beijos, carícias, apalpadas, roçadas e só. Eu sempre desconversava ou evitava as investidas sexuais dele. Não sentia sexualmente a mesma atração que eu sentia emocionalmente, se é que eu sentia alguma atração sexual por ele. Rememorando agora, eu acho que nunca senti, e não sei dizer se era algo com ele ou se porque, para mim, paixão e tesão são coisas conflitantes, e se um está presente, o outro não pode estar na maioria das vezes. Ainda assim transamos algumas vezes depois de um tempo. E todas essas transas foram, na melhor das hipóteses, um pouco mais toleráveis do que a primeira. Se eu estivesse um pouco bêbado poderia ao menos me agarrar a ideia de que não estava aproveitando melhor o momento por causa da bebida, o que era uma coisa boa, até. Pra ser sincero, talvez seja preguiça de forçar um pouco a memória, mas não consigo me lembrar de transar com ele sóbrio. E quanto mais longe eu estivesse de estar completamente embriagado, mais desconfortável era a transa, em todos os sentidos. Ele não fodia mal; sabia chupar também - apesar de preferir ser chupado, como quase todo mundo - , e ainda assim era sempre pequeno o prazer que eu tirava do sexo com ele. Cheguei a pensar se não era por causa do tamanho da rola dele, e durante muito tempo me apeguei a essa versão, apesar de não estar mais certo sobre ela hoje em dia. Gogitei a possibilidade de eu só curtir gouinage, como se fosse uma dessas doenças raras que você acha que só acontecem com os outros, até que você se descobre como um portador certo dia. Sugeri a ele que tentássemos, o que o fez se sentir contrariado. Mas no fim, quando rolou, uma transa sem penetração pareceu para mim como uma transa que inicia sem começar e terminar sem ter acabado. Eu tentava achar diversas respostas e soluções quando a verdadeira explicação era bem mais simples: há pessoas que te provocam tesão; e outras, não. E ponto. Foi nessa época que Mika, mais uma vez, reatou com Tuca. Era comum encontrá-lo pela república nos momentos que eu estivesse lá. Ele costumava a me tratar com a mesma indiferença que Nicki, a gata de estimação que vivia lá, me tratava, dirigindo a palavra a mim apenas quando era de seu interesse, como quando queria saber se eu havia visto seu maço de cigarros ou seu isqueiro. Ele foi, em tempos passados, o maior destaque da equipe masculina, e ainda se portava com a mesma presunção que seus dias de glória haviam lhe permitido. Os garotos da equipe o tratavam com a mesma reverência que o haviam tratado antes dele ter aquela leve papada e aquela barriga um pouco saliente. Ele parecia se orgulhar de todos os seus feitos dentro e fora da pista, dignos e indignos. Havia tido diversos casos com garotas da nossa equipe e de outras, algumas delas em tempos em que estava com Mika, se não a maioria. O fato deles terem reatado era uma das coisas que mais tiravam Hugo do sério. “Olha, eu já desisti. Sinceramente...Como pode ser tão trouxa?! Como pode gostar tanto de ser chifruda?! Toda a vez que eu perguntava o porquê dela ter voltado com ele, ela falava ‘ai, não sei, é sexo, é o sexo dele, é diferente’. Ahhh, me respeita! Tanto macho que mete bem espalhado por aí...tanta piroca boa esperando pra ser chupada, e ela se rastejando atrás desse embuste. Sabe o que é isso?! É gostar de ser trouxa!...Não é o sexo, é gostar de ser trouxa!” Bufava. “Mas eu é que não falo mais nada…” Mika começou a desabafar comigo com maior frequência, e de uma maneira mais profunda que antes. Não se limitava só a dizer o quão bem ou mal pareciam estar as coisas entre ela e Tuca, como começou também a me mandar print das conversas que tinham, para que eu a ajudasse a interpretar as falas e as possíveis motivações ocultas dele, como outras garotas já tinham o costume de fazer antes dela. Minhas respostas nesses casos costumavam ser sempre as mesmas, e não só por preguiça da minha parte, mas sim porque os crushes e arrobas com que elas se relacionavam eram tão iguais e agiam de forma tão previsível que pareciam até serem a mesma pessoa - e por mais sórdido que seja, às vezes eram. Foi mais ou menos nessa época que, depois de muito tempo, Rouge me chamou no privado. Disse que fazia tempo que não nos víamos e nem conversávamos, e que estava com saudade. Quis saber como andava os treinos. Quis saber como andavam as coisas entre eu e Hugo. Quis saber como ele era. Ele é um cara legal, eu disse. Vocês devem estar fazendo muito aquilo! Hahahahaha, ela disse. Aquilo?! É, você sabe, sexo. Vocês fazem muito? Às vezes, eu disse. Mas vocês fazem, né?! Mesmo que não seja sempre. Sim, por quê? Por nada. Ainda não estava claro para mim aonde ela queria chegar com aquilo, mas eu já possuía uma certa ideia. Mas posso te perguntar uma coisa? Ela continuou. Foi quando ela confirmou minhas suspeitas dizendo que, mesmo depois daqueles três meses, ela e Pitt ainda não haviam transado. Nenhuma vez. Nem oral. Ela já havia o convidado a aparecer na sua casa em finais de semana prolongados em que sua família ia viajar, e que ela havia deixado de ir justamente para que aquilo finalmente acontecesse. Mas ele nunca podia; sempre tinha algo pra fazer. Ele também nunca entrava muito na onda quando ela começava a falar ou mandava algum meme sobre safadeza. E em todas as pegadas que tiveram, ele nunca havia apertado a bunda dela com vontade. É normal isso? Ela quis saber. É sim, eu acho. Não se preocupe - Não era. Ai, maravilha! Tava preocupada já. Tivemos essa conversa umas duas semanas antes deles terminarem.



segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

[+18] O CALCANHAR DE AQUILES (PARTE 2 DE 4)



Minha tentativa de fazer parte dos treinos de arremesso saiu-se frustrante, para não dizer vergonhosa. Mesmo com a ajuda de Pitt - ou talvez por causa dela - para fazer meu arremesso de dardo, ajudando a manter minha postura ereta ao pousar sua mão em minha lombar e abdômen; corrigindo minha pegada no dardo, ao pinçar com seus dedos os meus; agarrando de modo firme meu ombro e antebraço, tentando ajustar a posição e altura do meu braço. Mesmo com tudo isso, e falando logo em seguida: “Vai lá! Manda a ver!”, avancei de modo desengonçado, embaralhando as pernas e perdendo o equilíbrio, para, enfim, lançar frouxamente o dardo, que foi indo bambo na diagonal, perdeu força e caiu deitado sobre a grama. Senti-me embaraçado na hora, e Pitt, demonstrando certa compaixão disse: “Boa!”, dando um sorriso que aparentava muito mais pena do que satisfação.
Depois desse dia, senti que, se houvesse alguma chance de realizar meus desejos platônicos por ele, eu não deveria mais me humilhar diante dos seus olhos. Acabei, enfim, me firmando nos treinos de fundo. Não por ter a resistência necessária para corridas de longa distância, mas sim por elas não guardarem nenhum grande segredo em especial, nenhuma grande técnica por trás. Era só correr. E a sensação que eu sentia ao concluir os treinos, como se eu fosse um peixe fora d’água em um dia ensolarado, era muito libertadora. Rouge optou por permanecer no arremesso, mesmo não levando jeito para a coisa, apenas para poder estar próxima de Pitt. E, em todo final de treino vinha até mim e falava em meus ouvidos: “Eu acho que ele também tá me querendo...Cê acha que eu devia chegar nele?” Eu dizia que era ela que tinha que se decidir sobre essas coisas.


Fazer parte dos treinos do fundo me trouxe proximidade com a Mika, que era a melhor atleta da modalidade na equipe. Primeiro, começou com cumprimentos e despedidas simpáticas, como eram comuns de sua pessoa. Estes mesmos cumprimentos e despedidas passaram a se tornar mais acalorados, assim como as dicas sobre como correr ainda mais frequentes. 
“Assim, solte mais os braços, você tá muito durão.”
“Você tá correndo muito forte as primeiras voltas. Tem que ir mais devagar.”
”Vamo, vamo! Tá quase acabando!”
“Nossa, você evoluiu muito desde que chegou aqui! Cê tá de parabéns!”
Mika tinha um jeito quase materno de falar com os demais membros da equipe, principalmente os mais novos, e se orgulhava disso. Assim como todos aqueles que eram tratados como os filhos favoritos se orgulhavam deste tratamento. Eu estava entre eles.
Não demorou muito até que os nossos assuntos deixassem de estar restrito aos treinos, mas eles ainda permaneciam fechados entre a equipe. Ela passou a me contar sobre Rô, que foi sua veterana e era para ela uma inspiração, um ideal de pessoa e atleta a ser seguido. Contou-me sobre seu relacionamento com Tuca. Como eles haviam começado, das diversas vezes que haviam terminado, e como agora a coisa entre eles estava capengando, sem dar muitos detalhes sobre a história toda. Contou também sobre diversos causos envolvendo membros e ex-membros da equipe, e todos os rolos e confusões que já haviam acontecido entre eles, sendo que alguns deles eu sequer fazia ideia de quem eram, e não estava muito interessado em saber também. Começou a querer saber mais sobre mim. Perguntou se meus pais sabiam. 
“Sobre o quê?!”.
”...Você é assumido pra eles?” Disse ela, meio embaraçada. 
“Não, não sou”.
Fosse outra pessoa, acho que teria me incomodado com a intromissão. Partindo da Mika, isso não me afligiu. Pelo contrário até, senti algo próximo de uma preocupação afetuosa. Falei que achava que eles não estavam prontos para saberem a verdade, e eu não estava pronto para contar também. Nossos assuntos, depois desse dia, passaram então a se enveredar com frequência sobre homens, ou machos, como ela gostava de falar. O que mais nos atraia. O que era mais broxante. Tamanho importa? O que era mais importante: ser carinhoso ou saber foder? Nunca na minha vida eu havia me sentido confortável para me expressar sobre tais assuntos com alguém como eu me sentia agora com Mika. E então veio a pergunta que eu aguardava apreensivamente desde que começamos a dar início a todo esse papo, e que eu sabia que cedo ou tarde ela faria.
“Mas então, se tivesse que rolar com alguém da equipe. Não estou dizendo que rolaria, MAS se fosse pra escolher alguém, quem você escolheria. Só vale um!”
“Ah, mas só um?!” disfarcei, rindo.
“Sim, só um.”
“....Hm, o Pitt.”
“Sabia!”
Eu fiquei sem jeito, e perguntei se estava tão na cara assim. “Nah! Todas querem ele…e todos também, pelo visto.” Rimos.
“Mas sabe o Hugo?! Então, ele sabe umas histórias sobre ele…”
“Que histórias?!”
“Uns boatos aí.”
“Me conta!” Repliquei, já não aguentando mais de curiosidade.
“Ah, eu não sei muito bem...Tem haver com um cara da natação, eu acho. O Hugo saberia te contar melhor. Será que não rola um triplão entre vocês?!” Ela riu.
Já fazia tempo que ela estava querendo me arrumar esse amigo dela, Hugo. Falava dele para mim o tempo todo. Morava na mesma república que ela. Era da natação e, segundo ela, alto, magrelinho, olho claro, um pouco narigudinho e dotado. Sempre ressaltava: “Ele é dotado, ein!”’ Nunca me havia batido um real interesse em conhecê-lo. Ou talvez eu me sentisse apreensivo de que finalmente rolasse algo com outro homem, não me sentia preparado. Mas depois desse suposto rumor sobre o Pitt, eu precisava saciar minha curiosidade sobre essa história. Combinei com Mika que iria para a próxima festa da faculdade com ela. Seria a primeira festa que eu estaria indo.


“Vai demorar pra vir, aquela poc. É sempre assim…” Tentava me consolar Mika, mal sabendo ela o quanto aquela notícia havia me deixado aliviado. Meu primeiro contato com uma festa universitária ia bem, na medida do esperado. A proximidade com Mika nos últimos meses havia me trazido a aceitação das garotas da equipe. Já não se sentiam inibidas para falarem em minha presença sobre assuntos particulares e peculiares, tais como menstruação em momentos impróprios e homens. Eu era bem-vindo nas rodinhas e, mais do que isso, já havia recebido variações carinhosas do meu apelido: Pô e Neinei (certo dia alguém me chamou de Popô, o que provocou uma risadaria coletiva. Depois desse dia, só me chamavam assim quando estavam de gozação comigo). Olhei ao redor. Várias outras rodinhas como a nossa, onde, imagino, rolavam papos não muito diferentes do nosso, atrapalhados pelo som estridente ao fundo. Poucas pessoas dançando, menos pessoas ainda se beijando. Eu pensava que isso era bem mais animado, matutei. Alguns meninos da equipe e amigos destes se juntaram na nossa rodinha. Pitt estava entre eles. Estávamos separados por apenas uma pessoa, não lembro quem. Praticamente todos estavam com um copo de cerveja na mão, inclusive eu. Era a primeira vez que eu estava bebendo, e o gosto era mais amargo do que eu imaginava. Era impossível não torcer o rosto. Enquanto isso, eu olhava para o nada, reparando em Pitt com o canto dos olhos, sem coragem nenhuma de tentar uma aproximação. Rouge teve, e saltou a sua frente, tagarelando com sua vozinha aguda, enquanto mexia com os dedos as pontas do cabelo. Senti vontade de ir ao banheiro.
Estava tocando Ragatanga quando saí de lá, e a nossa rodinha estava consideravelmente menor, incluindo a ausência da pessoa que estava entre mim e Pitt e de Rouge. Pitt estava concentrado em seu celular. Meu coração deu uma leve acelerada. Eu retornava para a roda com passos cada vez mais curtos, como se tentasse não ser notado por ele. E era isso, de fato. Parei ao seu lado. Inspirei; suspirei. Entornei o copo que estava em minhas mãos.
“Nossa! Cerveja é ruim quando bebida rápido, né?!” bufei, fazendo careta, quase falando pra dentro.
“Oi?!”
“Cerveja...Foi amargo pra você também quando você tomou pela primeira vez?”
“O quê?”
“Cerveja!” ri, constrangido “É ruim da primeira vez, né?!”.
“Ah, não lembro...Eu acho que sim.”
Nesse momento, para a minha salvação, algum dos meninos veio falar com ele e me livrou de todo aquele embaraço. Eu estava me martirizando calado, parado no mesmo lugar, quando senti um puxão no meu braço.
“Aqui ó, esse é o meu amigo Neinei, que eu tanto te falei.” Disse empolgada, Mika, arrastando-me para uma silhueta alta e magra que veio encurvada ao meu encontro.
“Muito prazeeeeer, Neinei! Eu sou Hugo!” Disse-me, enquanto me abraçava e me dava dois beijinhos no rosto.
Depois que ele se afastou, pude olhar melhor para a aparência dele. Alto, magro, olhos verdes um tantinho esbugalhados, cabelo cacheado. E o nariz. Um nariz afinado e comprido em forma de gancho. A Mika havia sido bem gentil quando disse que ele era “um pouco narigudinho.” “Se ela tiver usado esse mesmo eufemismo pra descrever o tamanho da piroca…”


Perguntei para ele, Hugo, sobre o tal boato entre Pitt e o menino da natação, que a Mika havia mencionado e disse que ele sabia melhor sobre. “Que eu sei melhor?!” Já estávamos conversando há algum tempo quando finalmente me senti à vontade para tocar no assunto. Ele possuía um jeito meio expansivo e rebelde de se expressar, até mesmo cômico, como se uma drag queen e um adolescente rebelde do ensino médio estivessem dentro de sua cabeça, e brigassem o tempo todo para ver quem assumiria o controle do seu cérebro. “Ahhh, lembrei!” Esbravejou. “Então, uma poc biscoiteira da equipe de natação disse uma vez que havia mamado ele numa festa. Mas cê acha?!” Olhei em direção a Pitt, que estava conversando com Rouge. Ele parecia estar envolvido no flerte dela, correspondendo às suas risadinhas e inclinadas de pescoço. “Por que, bicha? Tá querendo?!”. Dei uma gargalhada sincera.
“É, mas ele é um bofe sensa mesmo. Queria...” Suspirou. “Ai, mas sabe essa poc?! Essa que tava espalhando o boato?! Então teve um dia que eu fiquei um triz de esmurrar a cara dela, a vagabunda. E isso foi no meu primeiro...Quer mais cerveja?!” Perguntou, ao me ver tomar o restante que havia em meu copo, já se apressando em pegar a garrafa e enchê-lo novamente. Lembro que naquele momento, depois de alguns copos, o gosto amargo da cerveja já não me incomodava mais. Era apenas cerveja. E a forma como Hugo falava e gesticulava era engraçada, estranhamente engraçada. Ele retomou a história, que parecia toda muito confusa e desconexa. Do outro canto, Pitt e Rouge estavam ainda mais próximos, tocando-se com frequência. Hugo começou a gesticular de forma mais agressiva, representando a cena em que ele estava prestes a esmurrar a tal poc. Parou, de repente.
“Ai, não acredito…” Revirou os olhos. Segui o seu olhar. Mika, com os olhos marejados, parecia estar discutindo com Tuca, que parecia não dar muita bola para o que ela falava. Ela parecia ficar cada vez mais estressada. E parece que ele deu as costas a ela, que pareceu não aceitar aquilo e foi logo atrás dele. “Ela merece se foder, já me cansei de tudo isso...“ Hugo bufou. Olhei em direção a Pitt e Rouge, que já não estavam mais conversando. Estavam unidos em um mesmo abraço, com as mãos dela deslizando nas costas dele, enquanto suas cabeças se moviam em sentido contrário, atadas pelo beijo.
Saltei nos braços do Hugo e, me equilibrando na ponta dos pés, grudei minha boca na dele, enquanto nossos dentes se chocavam e eu lançava minha língua o mais fundo que podia.


Eu só fui me dar conta do que estava prestes a acontecer quando vi Hugo tentando tirar seu cinto de forma apressada e atrapalhada. “Já chupou antes, né?!”. Olhei diretamente para seus olhos, tentando dizer “Sim”, mas a palavra estava travada na minha garganta, e ele então soube a verdadeira resposta. “Não é difícil. Já chupou um pirulito, né?! Mesma coisa.”
Ainda na festa, após interromper nosso bizarro primeiro beijo, “Calma, sua safada!”, ele me arrastou até um canto mais escuro, onde recomeçamos a beijar, dessa vez sob a condução dele. Tentei me manter como um bom aprendiz, movendo minha língua na mesma sintonia que a dele, passando a minha mão em seu corpo apenas nos lugares onde ele passava as mãos no meu. Ele começou a roçar sua rola em mim, e eu sentia como se ele tivesse guardado uma linguiça calabresa no bolso da calça jeans skinny dele. “Vamos lá pro meu apê?! Lá é melhor, a gente fica sozinho no meu quarto.” Sussurrou em meus ouvidos. Aceitei sem pensar muito, eu só queria ir embora logo daquela festa. O apartamento dele ficava a umas duas quadras da universidade, de forma que não demoramos mais do que quinze minutos para chegar até lá. No caminho, nossa conversa se alternava entre o silêncio e ele se gabar sobre as vantagens de fazer parte da equipe de natação, sendo a principal delas poder conferir o tamanho da mala em cada sunga, acho. Eu estava alheio a tudo aquilo, e ainda por cima bêbado, num estado mental e físico que eu nunca havia estado antes. Mas toda a embriaguez começou a se dissipar quando ali, dentro de seu apartamento, trancado naquele quarto escuro, ele finalmente desenlaçou o cinto da cintura, desabotoou a calça, abriu seu zíper, e, com dificuldades, começou a descê-la. Desceu também a cueca boxer, deixando à mostra um pinto alongado embalando entre as coxas. “Cadê?! Não vai tirar a roupa?!” Disse, impaciente. Parecia tarde demais para negar qualquer coisa. Eu tinha vergonha do meu corpo, e nunca havia me despido para alguém antes. Tirei apenas minha calça, permanecendo vestido com minha camiseta, cueca e meias. “Só isso?!” Bufou, indignado. “Tá bom. Ajoelha logo.” Aproximei-me dele de joelhos. “Não, espera”. Puxou um carpete e o colocou próximo aos meus joelhos. “Aqui, pra não machucar.” Subi sobre o carpete, e ele se aproximou, deixando a rola dele bem próxima ao meu rosto. Ele era completamente liso, sem nenhum pentelho. Fiquei alguns segundos imóvel até decidir tocá-la de leve com meus dedos. Segurei-a então com mais firmeza, e ela pareceu se enrijecer um pouco. “Vamo, me chupa.” Murmurou. Olhei-a fixamente, agarrando-a entre o punho. A glande saía aos poucos por detrás da fina pele. Respirei fundo. Senti um odor acre. Prendi a respiração. Abri minha boca com receio, aproximando-a da glande, até que ela encaixasse entre meus lábios e finalmente estivesse presa no vácuo da minha boca. “Isso...” Suspirou. Fiquei sem saber o que fazer em seguida, aquilo não era nada confortável para mim. “Isso, continua chupando…” Ele estava de olhos fechados. Comecei a mover minha cabeça para para frente e para trás, enquanto segurava a rola com uma das mãos, tocando o mínimo possível minha língua na cabeça. Ele começou a balançar-se para frente, empurrando-a mais fundo contra a minha boca, enquanto apoiava uma de suas mãos sobre minha cabeça. “Mama, mama…” Começou a aumentar a intensidade dos movimentos pélvicos e a pressão que exercia com sua mão. Buscando resistir, forcei e lancei minha cabeça para trás, afastando minha boca da rola, que deu uma leve pendulada . “Que isso, viado?!” Berrou. “Vem cá, levanta. Tira essa cueca que eu vou te ensinar como se chupa uma piroca.” Eu me ergui, mas disse que não queria ser chupado. “Como assim ‘não quer ser chupado?!’ Quem não quer ser chupado?!” E eu realmente não queria. Estava receoso de não ter lavado meu pinto direito, ou de não ter balançado ele bem depois de todas as vezes que mijei, e ele estar fedendo ou com um gosto azedo. Mas só repeti que não queria, mesmo. “Ah, então tá, né?!...Você é estranho.” Disse, para logo após se aproximar de mim, enlaçar-me em seus braços e apertar minhas nádegas com força. “Mas vamos ver como você se sai dando esse cuzinho”. Sussurrou, com as pontas dos nossos narizes se tocando, dando-me um selinho molhado em seguida. Começou a puxar minha minha camiseta para cima, tentando tirá-la. Desvencilhei-me dele, e de costas, tirei a camiseta, meio atrapalhado. Ele puxou o elástico da minha cueca e o soltou depois, chicoteando minha cintura. Comecei a tirá-la, ainda mais constrangido, sem conseguir olhá-lo nos olhos ou encará-lo de frente. “Vai lá. Sobe na cama e fica de quatro pra mim, vai.” Subi desengonçado na cama, como um bebê que acabou de aprender a engatinhar, raspando de leve minha canela nos pés dela.
“Assim?!” Eu lembro de ter pensado, perguntando a mim mesmo. Enquanto eu ouvia suas pegadas, e o barulho de uma gaveta sendo aberta, não pude deixar de rememorar e me espantar sobre a loucura que era estar ali, naquele quarto, naquela posição. Quantas pessoas no mundo haviam perdido o BV e a virgindade no mesmo dia? Com exceção desses países onde os casamentos são arranjados pelos pais com suas filhas ainda crianças, isso deve ser bem incomum, acredito. De repente, sinto uma pressão no colchão. Ele estava sobre a cama. Retesei mais meu corpo, como quem espera ser açoitado. “Não, vem cá. Abre mais as pernas, assim.” Disse, tocando de leve o interior das minhas coxas. “Isso. Agora, empina mais...Não, assim. Levanta a raba pra cima...Tá, abaixa a coluna assim, e empina a bunda...Isso, e a cabecinha baixa. Perfeito. Deixa esse cuzinho a mostra pra mim.” Eu estava completamente vulnerável, e me senti um pouco excitado quanto a isso. Senti ele tocar com as palmas das mãos as minhas nádegas, expandindo-as. Fechei os olhos. Pude ouvir sua respiração chiando, enquanto se aproximava ainda mais. “Amo cu virgem.” Meu pênis se enchia aos poucos. Finquei meus joelhos no colchão. Ouvi o batucar do meu coração. Estou pronto. Senti um leve beijo em meu ânus. Minha pele eriçou. Apertei os olhos. O beijo transformava-se em uma punhalada, que exercia uma pressão cada vez mais forte, até perfurar-me aos poucos, penetrando lentamente em meu interior, rompendo com deleite minhas pregas que tentavam inutilmente resistir. Gemi. “Deixa o cuzinho relaxado, deixa.” Grudei-me com força no lençol da cama. Sentia como se uma serpente ensacada percorresse sadicamente pelo meu reto, retornando e avançando repetidas vezes, saboreando-se da minha aflição. “Que delícia de cu apertadinho...”, suspirou. Notei que eu estava gemendo alto. Mordi os lábios. Comecei a sentir dor na coluna, nos joelhos, nos cotovelos. Sentia minhas pregas arderem e incharem com o atrito do vai-e-vem do pau embalado na camisinha. Minha boca se abriu, como se implorasse que eu o mandasse parar. “Isso; isso; assim; assim...” Resisti firme. Meu estômago começava a chacoalhar, e me subia uma queimação na garganta. Recordei a sensação dos piores treinos. Só mais um pouco, você consegue. Sentia-me zonzo. Meu estômago se agitou ainda mais. “Vai, vai…” Comecei a pensar na primeira vez que me chamaram de viado na escola; nos meninos por quem eu havia sentido atração; em Pitt; no beijo dele com a Rouge. “Tá vindo...tá quase...” Espasmei dando um salto para frente, gorfando sobre o colchão e travesseiro.


Acordei sobre o sofá da sala, coberto por uma fina manta de lã. Levou alguns segundos até que eu recordasse que lugar era aquele e como eu havia parado ali. Mas quando recobrei a memória, as lembranças vieram num atimo só. “Porra, viado! Minha cama!” Exbravejou Hugo, após meu gorfo. “Vai, levanta daí!” Lembrava de ter ficado de pé, vendo ele jogar o lençol e a fronha no chão com raiva, e depois virar o lado do colchão. Deitei na cama novamente, sonolento. “Não, sai daí! Veste sua roupa, vai!” Não sei se me vesti sozinho, ou se ele me ajudou. É o único momento da noite que de fato não me lembro. Depois ele me disse que era melhor eu dormir no sofá, e me entregou a manta que eu estava coberto naquele momento.
Fiquei ali, rememorando todos os detalhes daquela transa. A primeira vez é romantizada demais. Até quando falam sobre as dores que a acompanham, tudo é visto de forma libertadora. Não havia sido nada daquilo para mim. Não havia sido boa, nem havia tido um significado especial. Continuava me sentindo tão viado naquele momento quanto me sentia antes, só que com dores por todo o corpo. Comecei a me perguntar se aquela sensação de fracasso não havia sido por causa de como a transa terminou; ou porque eu estava me sentindo mal depois de ter visto Pitt e Rouge juntos; ou se não porque eu havia perdido a virgindade no mesmo dia que o BV, e é preciso haver um tempo entre essas duas coisas, acho.
“Mas olha só quem tá aí!” Disse Mika, ao me ver deitado de olhos abertos no sofá, olhando para o nada. Sentou-se aos meus pés. “Me conta! Como foi?” Indagou apreensiva, com os olhos vermelhos e um pouco inchados.
“Ah, foi bom…”
“Hmm…” Deu um sorriso decepcionado. “Que bom…”.
Ficamos em silêncio ali parados durante alguns segundos.
“Meu Deus!” Saltei do sofá.
“Que foi?!”
“Esqueci de avisar meus pais que eu não voltaria pra casa! Minha mãe deve ter surtado!”