segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

[+18] O CALCANHAR DE AQUILES (PARTE 2 DE 4)



Minha tentativa de fazer parte dos treinos de arremesso saiu-se frustrante, para não dizer vergonhosa. Mesmo com a ajuda de Pitt - ou talvez por causa dela - para fazer meu arremesso de dardo, ajudando a manter minha postura ereta ao pousar sua mão em minha lombar e abdômen; corrigindo minha pegada no dardo, ao pinçar com seus dedos os meus; agarrando de modo firme meu ombro e antebraço, tentando ajustar a posição e altura do meu braço. Mesmo com tudo isso, e falando logo em seguida: “Vai lá! Manda a ver!”, avancei de modo desengonçado, embaralhando as pernas e perdendo o equilíbrio, para, enfim, lançar frouxamente o dardo, que foi indo bambo na diagonal, perdeu força e caiu deitado sobre a grama. Senti-me embaraçado na hora, e Pitt, demonstrando certa compaixão disse: “Boa!”, dando um sorriso que aparentava muito mais pena do que satisfação.
Depois desse dia, senti que, se houvesse alguma chance de realizar meus desejos platônicos por ele, eu não deveria mais me humilhar diante dos seus olhos. Acabei, enfim, me firmando nos treinos de fundo. Não por ter a resistência necessária para corridas de longa distância, mas sim por elas não guardarem nenhum grande segredo em especial, nenhuma grande técnica por trás. Era só correr. E a sensação que eu sentia ao concluir os treinos, como se eu fosse um peixe fora d’água em um dia ensolarado, era muito libertadora. Rouge optou por permanecer no arremesso, mesmo não levando jeito para a coisa, apenas para poder estar próxima de Pitt. E, em todo final de treino vinha até mim e falava em meus ouvidos: “Eu acho que ele também tá me querendo...Cê acha que eu devia chegar nele?” Eu dizia que era ela que tinha que se decidir sobre essas coisas.


Fazer parte dos treinos do fundo me trouxe proximidade com a Mika, que era a melhor atleta da modalidade na equipe. Primeiro, começou com cumprimentos e despedidas simpáticas, como eram comuns de sua pessoa. Estes mesmos cumprimentos e despedidas passaram a se tornar mais acalorados, assim como as dicas sobre como correr ainda mais frequentes. 
“Assim, solte mais os braços, você tá muito durão.”
“Você tá correndo muito forte as primeiras voltas. Tem que ir mais devagar.”
”Vamo, vamo! Tá quase acabando!”
“Nossa, você evoluiu muito desde que chegou aqui! Cê tá de parabéns!”
Mika tinha um jeito quase materno de falar com os demais membros da equipe, principalmente os mais novos, e se orgulhava disso. Assim como todos aqueles que eram tratados como os filhos favoritos se orgulhavam deste tratamento. Eu estava entre eles.
Não demorou muito até que os nossos assuntos deixassem de estar restrito aos treinos, mas eles ainda permaneciam fechados entre a equipe. Ela passou a me contar sobre Rô, que foi sua veterana e era para ela uma inspiração, um ideal de pessoa e atleta a ser seguido. Contou-me sobre seu relacionamento com Tuca. Como eles haviam começado, das diversas vezes que haviam terminado, e como agora a coisa entre eles estava capengando, sem dar muitos detalhes sobre a história toda. Contou também sobre diversos causos envolvendo membros e ex-membros da equipe, e todos os rolos e confusões que já haviam acontecido entre eles, sendo que alguns deles eu sequer fazia ideia de quem eram, e não estava muito interessado em saber também. Começou a querer saber mais sobre mim. Perguntou se meus pais sabiam. 
“Sobre o quê?!”.
”...Você é assumido pra eles?” Disse ela, meio embaraçada. 
“Não, não sou”.
Fosse outra pessoa, acho que teria me incomodado com a intromissão. Partindo da Mika, isso não me afligiu. Pelo contrário até, senti algo próximo de uma preocupação afetuosa. Falei que achava que eles não estavam prontos para saberem a verdade, e eu não estava pronto para contar também. Nossos assuntos, depois desse dia, passaram então a se enveredar com frequência sobre homens, ou machos, como ela gostava de falar. O que mais nos atraia. O que era mais broxante. Tamanho importa? O que era mais importante: ser carinhoso ou saber foder? Nunca na minha vida eu havia me sentido confortável para me expressar sobre tais assuntos com alguém como eu me sentia agora com Mika. E então veio a pergunta que eu aguardava apreensivamente desde que começamos a dar início a todo esse papo, e que eu sabia que cedo ou tarde ela faria.
“Mas então, se tivesse que rolar com alguém da equipe. Não estou dizendo que rolaria, MAS se fosse pra escolher alguém, quem você escolheria. Só vale um!”
“Ah, mas só um?!” disfarcei, rindo.
“Sim, só um.”
“....Hm, o Pitt.”
“Sabia!”
Eu fiquei sem jeito, e perguntei se estava tão na cara assim. “Nah! Todas querem ele…e todos também, pelo visto.” Rimos.
“Mas sabe o Hugo?! Então, ele sabe umas histórias sobre ele…”
“Que histórias?!”
“Uns boatos aí.”
“Me conta!” Repliquei, já não aguentando mais de curiosidade.
“Ah, eu não sei muito bem...Tem haver com um cara da natação, eu acho. O Hugo saberia te contar melhor. Será que não rola um triplão entre vocês?!” Ela riu.
Já fazia tempo que ela estava querendo me arrumar esse amigo dela, Hugo. Falava dele para mim o tempo todo. Morava na mesma república que ela. Era da natação e, segundo ela, alto, magrelinho, olho claro, um pouco narigudinho e dotado. Sempre ressaltava: “Ele é dotado, ein!”’ Nunca me havia batido um real interesse em conhecê-lo. Ou talvez eu me sentisse apreensivo de que finalmente rolasse algo com outro homem, não me sentia preparado. Mas depois desse suposto rumor sobre o Pitt, eu precisava saciar minha curiosidade sobre essa história. Combinei com Mika que iria para a próxima festa da faculdade com ela. Seria a primeira festa que eu estaria indo.


“Vai demorar pra vir, aquela poc. É sempre assim…” Tentava me consolar Mika, mal sabendo ela o quanto aquela notícia havia me deixado aliviado. Meu primeiro contato com uma festa universitária ia bem, na medida do esperado. A proximidade com Mika nos últimos meses havia me trazido a aceitação das garotas da equipe. Já não se sentiam inibidas para falarem em minha presença sobre assuntos particulares e peculiares, tais como menstruação em momentos impróprios e homens. Eu era bem-vindo nas rodinhas e, mais do que isso, já havia recebido variações carinhosas do meu apelido: Pô e Neinei (certo dia alguém me chamou de Popô, o que provocou uma risadaria coletiva. Depois desse dia, só me chamavam assim quando estavam de gozação comigo). Olhei ao redor. Várias outras rodinhas como a nossa, onde, imagino, rolavam papos não muito diferentes do nosso, atrapalhados pelo som estridente ao fundo. Poucas pessoas dançando, menos pessoas ainda se beijando. Eu pensava que isso era bem mais animado, matutei. Alguns meninos da equipe e amigos destes se juntaram na nossa rodinha. Pitt estava entre eles. Estávamos separados por apenas uma pessoa, não lembro quem. Praticamente todos estavam com um copo de cerveja na mão, inclusive eu. Era a primeira vez que eu estava bebendo, e o gosto era mais amargo do que eu imaginava. Era impossível não torcer o rosto. Enquanto isso, eu olhava para o nada, reparando em Pitt com o canto dos olhos, sem coragem nenhuma de tentar uma aproximação. Rouge teve, e saltou a sua frente, tagarelando com sua vozinha aguda, enquanto mexia com os dedos as pontas do cabelo. Senti vontade de ir ao banheiro.
Estava tocando Ragatanga quando saí de lá, e a nossa rodinha estava consideravelmente menor, incluindo a ausência da pessoa que estava entre mim e Pitt e de Rouge. Pitt estava concentrado em seu celular. Meu coração deu uma leve acelerada. Eu retornava para a roda com passos cada vez mais curtos, como se tentasse não ser notado por ele. E era isso, de fato. Parei ao seu lado. Inspirei; suspirei. Entornei o copo que estava em minhas mãos.
“Nossa! Cerveja é ruim quando bebida rápido, né?!” bufei, fazendo careta, quase falando pra dentro.
“Oi?!”
“Cerveja...Foi amargo pra você também quando você tomou pela primeira vez?”
“O quê?”
“Cerveja!” ri, constrangido “É ruim da primeira vez, né?!”.
“Ah, não lembro...Eu acho que sim.”
Nesse momento, para a minha salvação, algum dos meninos veio falar com ele e me livrou de todo aquele embaraço. Eu estava me martirizando calado, parado no mesmo lugar, quando senti um puxão no meu braço.
“Aqui ó, esse é o meu amigo Neinei, que eu tanto te falei.” Disse empolgada, Mika, arrastando-me para uma silhueta alta e magra que veio encurvada ao meu encontro.
“Muito prazeeeeer, Neinei! Eu sou Hugo!” Disse-me, enquanto me abraçava e me dava dois beijinhos no rosto.
Depois que ele se afastou, pude olhar melhor para a aparência dele. Alto, magro, olhos verdes um tantinho esbugalhados, cabelo cacheado. E o nariz. Um nariz afinado e comprido em forma de gancho. A Mika havia sido bem gentil quando disse que ele era “um pouco narigudinho.” “Se ela tiver usado esse mesmo eufemismo pra descrever o tamanho da piroca…”


Perguntei para ele, Hugo, sobre o tal boato entre Pitt e o menino da natação, que a Mika havia mencionado e disse que ele sabia melhor sobre. “Que eu sei melhor?!” Já estávamos conversando há algum tempo quando finalmente me senti à vontade para tocar no assunto. Ele possuía um jeito meio expansivo e rebelde de se expressar, até mesmo cômico, como se uma drag queen e um adolescente rebelde do ensino médio estivessem dentro de sua cabeça, e brigassem o tempo todo para ver quem assumiria o controle do seu cérebro. “Ahhh, lembrei!” Esbravejou. “Então, uma poc biscoiteira da equipe de natação disse uma vez que havia mamado ele numa festa. Mas cê acha?!” Olhei em direção a Pitt, que estava conversando com Rouge. Ele parecia estar envolvido no flerte dela, correspondendo às suas risadinhas e inclinadas de pescoço. “Por que, bicha? Tá querendo?!”. Dei uma gargalhada sincera.
“É, mas ele é um bofe sensa mesmo. Queria...” Suspirou. “Ai, mas sabe essa poc?! Essa que tava espalhando o boato?! Então teve um dia que eu fiquei um triz de esmurrar a cara dela, a vagabunda. E isso foi no meu primeiro...Quer mais cerveja?!” Perguntou, ao me ver tomar o restante que havia em meu copo, já se apressando em pegar a garrafa e enchê-lo novamente. Lembro que naquele momento, depois de alguns copos, o gosto amargo da cerveja já não me incomodava mais. Era apenas cerveja. E a forma como Hugo falava e gesticulava era engraçada, estranhamente engraçada. Ele retomou a história, que parecia toda muito confusa e desconexa. Do outro canto, Pitt e Rouge estavam ainda mais próximos, tocando-se com frequência. Hugo começou a gesticular de forma mais agressiva, representando a cena em que ele estava prestes a esmurrar a tal poc. Parou, de repente.
“Ai, não acredito…” Revirou os olhos. Segui o seu olhar. Mika, com os olhos marejados, parecia estar discutindo com Tuca, que parecia não dar muita bola para o que ela falava. Ela parecia ficar cada vez mais estressada. E parece que ele deu as costas a ela, que pareceu não aceitar aquilo e foi logo atrás dele. “Ela merece se foder, já me cansei de tudo isso...“ Hugo bufou. Olhei em direção a Pitt e Rouge, que já não estavam mais conversando. Estavam unidos em um mesmo abraço, com as mãos dela deslizando nas costas dele, enquanto suas cabeças se moviam em sentido contrário, atadas pelo beijo.
Saltei nos braços do Hugo e, me equilibrando na ponta dos pés, grudei minha boca na dele, enquanto nossos dentes se chocavam e eu lançava minha língua o mais fundo que podia.


Eu só fui me dar conta do que estava prestes a acontecer quando vi Hugo tentando tirar seu cinto de forma apressada e atrapalhada. “Já chupou antes, né?!”. Olhei diretamente para seus olhos, tentando dizer “Sim”, mas a palavra estava travada na minha garganta, e ele então soube a verdadeira resposta. “Não é difícil. Já chupou um pirulito, né?! Mesma coisa.”
Ainda na festa, após interromper nosso bizarro primeiro beijo, “Calma, sua safada!”, ele me arrastou até um canto mais escuro, onde recomeçamos a beijar, dessa vez sob a condução dele. Tentei me manter como um bom aprendiz, movendo minha língua na mesma sintonia que a dele, passando a minha mão em seu corpo apenas nos lugares onde ele passava as mãos no meu. Ele começou a roçar sua rola em mim, e eu sentia como se ele tivesse guardado uma linguiça calabresa no bolso da calça jeans skinny dele. “Vamos lá pro meu apê?! Lá é melhor, a gente fica sozinho no meu quarto.” Sussurrou em meus ouvidos. Aceitei sem pensar muito, eu só queria ir embora logo daquela festa. O apartamento dele ficava a umas duas quadras da universidade, de forma que não demoramos mais do que quinze minutos para chegar até lá. No caminho, nossa conversa se alternava entre o silêncio e ele se gabar sobre as vantagens de fazer parte da equipe de natação, sendo a principal delas poder conferir o tamanho da mala em cada sunga, acho. Eu estava alheio a tudo aquilo, e ainda por cima bêbado, num estado mental e físico que eu nunca havia estado antes. Mas toda a embriaguez começou a se dissipar quando ali, dentro de seu apartamento, trancado naquele quarto escuro, ele finalmente desenlaçou o cinto da cintura, desabotoou a calça, abriu seu zíper, e, com dificuldades, começou a descê-la. Desceu também a cueca boxer, deixando à mostra um pinto alongado embalando entre as coxas. “Cadê?! Não vai tirar a roupa?!” Disse, impaciente. Parecia tarde demais para negar qualquer coisa. Eu tinha vergonha do meu corpo, e nunca havia me despido para alguém antes. Tirei apenas minha calça, permanecendo vestido com minha camiseta, cueca e meias. “Só isso?!” Bufou, indignado. “Tá bom. Ajoelha logo.” Aproximei-me dele de joelhos. “Não, espera”. Puxou um carpete e o colocou próximo aos meus joelhos. “Aqui, pra não machucar.” Subi sobre o carpete, e ele se aproximou, deixando a rola dele bem próxima ao meu rosto. Ele era completamente liso, sem nenhum pentelho. Fiquei alguns segundos imóvel até decidir tocá-la de leve com meus dedos. Segurei-a então com mais firmeza, e ela pareceu se enrijecer um pouco. “Vamo, me chupa.” Murmurou. Olhei-a fixamente, agarrando-a entre o punho. A glande saía aos poucos por detrás da fina pele. Respirei fundo. Senti um odor acre. Prendi a respiração. Abri minha boca com receio, aproximando-a da glande, até que ela encaixasse entre meus lábios e finalmente estivesse presa no vácuo da minha boca. “Isso...” Suspirou. Fiquei sem saber o que fazer em seguida, aquilo não era nada confortável para mim. “Isso, continua chupando…” Ele estava de olhos fechados. Comecei a mover minha cabeça para para frente e para trás, enquanto segurava a rola com uma das mãos, tocando o mínimo possível minha língua na cabeça. Ele começou a balançar-se para frente, empurrando-a mais fundo contra a minha boca, enquanto apoiava uma de suas mãos sobre minha cabeça. “Mama, mama…” Começou a aumentar a intensidade dos movimentos pélvicos e a pressão que exercia com sua mão. Buscando resistir, forcei e lancei minha cabeça para trás, afastando minha boca da rola, que deu uma leve pendulada . “Que isso, viado?!” Berrou. “Vem cá, levanta. Tira essa cueca que eu vou te ensinar como se chupa uma piroca.” Eu me ergui, mas disse que não queria ser chupado. “Como assim ‘não quer ser chupado?!’ Quem não quer ser chupado?!” E eu realmente não queria. Estava receoso de não ter lavado meu pinto direito, ou de não ter balançado ele bem depois de todas as vezes que mijei, e ele estar fedendo ou com um gosto azedo. Mas só repeti que não queria, mesmo. “Ah, então tá, né?!...Você é estranho.” Disse, para logo após se aproximar de mim, enlaçar-me em seus braços e apertar minhas nádegas com força. “Mas vamos ver como você se sai dando esse cuzinho”. Sussurrou, com as pontas dos nossos narizes se tocando, dando-me um selinho molhado em seguida. Começou a puxar minha minha camiseta para cima, tentando tirá-la. Desvencilhei-me dele, e de costas, tirei a camiseta, meio atrapalhado. Ele puxou o elástico da minha cueca e o soltou depois, chicoteando minha cintura. Comecei a tirá-la, ainda mais constrangido, sem conseguir olhá-lo nos olhos ou encará-lo de frente. “Vai lá. Sobe na cama e fica de quatro pra mim, vai.” Subi desengonçado na cama, como um bebê que acabou de aprender a engatinhar, raspando de leve minha canela nos pés dela.
“Assim?!” Eu lembro de ter pensado, perguntando a mim mesmo. Enquanto eu ouvia suas pegadas, e o barulho de uma gaveta sendo aberta, não pude deixar de rememorar e me espantar sobre a loucura que era estar ali, naquele quarto, naquela posição. Quantas pessoas no mundo haviam perdido o BV e a virgindade no mesmo dia? Com exceção desses países onde os casamentos são arranjados pelos pais com suas filhas ainda crianças, isso deve ser bem incomum, acredito. De repente, sinto uma pressão no colchão. Ele estava sobre a cama. Retesei mais meu corpo, como quem espera ser açoitado. “Não, vem cá. Abre mais as pernas, assim.” Disse, tocando de leve o interior das minhas coxas. “Isso. Agora, empina mais...Não, assim. Levanta a raba pra cima...Tá, abaixa a coluna assim, e empina a bunda...Isso, e a cabecinha baixa. Perfeito. Deixa esse cuzinho a mostra pra mim.” Eu estava completamente vulnerável, e me senti um pouco excitado quanto a isso. Senti ele tocar com as palmas das mãos as minhas nádegas, expandindo-as. Fechei os olhos. Pude ouvir sua respiração chiando, enquanto se aproximava ainda mais. “Amo cu virgem.” Meu pênis se enchia aos poucos. Finquei meus joelhos no colchão. Ouvi o batucar do meu coração. Estou pronto. Senti um leve beijo em meu ânus. Minha pele eriçou. Apertei os olhos. O beijo transformava-se em uma punhalada, que exercia uma pressão cada vez mais forte, até perfurar-me aos poucos, penetrando lentamente em meu interior, rompendo com deleite minhas pregas que tentavam inutilmente resistir. Gemi. “Deixa o cuzinho relaxado, deixa.” Grudei-me com força no lençol da cama. Sentia como se uma serpente ensacada percorresse sadicamente pelo meu reto, retornando e avançando repetidas vezes, saboreando-se da minha aflição. “Que delícia de cu apertadinho...”, suspirou. Notei que eu estava gemendo alto. Mordi os lábios. Comecei a sentir dor na coluna, nos joelhos, nos cotovelos. Sentia minhas pregas arderem e incharem com o atrito do vai-e-vem do pau embalado na camisinha. Minha boca se abriu, como se implorasse que eu o mandasse parar. “Isso; isso; assim; assim...” Resisti firme. Meu estômago começava a chacoalhar, e me subia uma queimação na garganta. Recordei a sensação dos piores treinos. Só mais um pouco, você consegue. Sentia-me zonzo. Meu estômago se agitou ainda mais. “Vai, vai…” Comecei a pensar na primeira vez que me chamaram de viado na escola; nos meninos por quem eu havia sentido atração; em Pitt; no beijo dele com a Rouge. “Tá vindo...tá quase...” Espasmei dando um salto para frente, gorfando sobre o colchão e travesseiro.


Acordei sobre o sofá da sala, coberto por uma fina manta de lã. Levou alguns segundos até que eu recordasse que lugar era aquele e como eu havia parado ali. Mas quando recobrei a memória, as lembranças vieram num atimo só. “Porra, viado! Minha cama!” Exbravejou Hugo, após meu gorfo. “Vai, levanta daí!” Lembrava de ter ficado de pé, vendo ele jogar o lençol e a fronha no chão com raiva, e depois virar o lado do colchão. Deitei na cama novamente, sonolento. “Não, sai daí! Veste sua roupa, vai!” Não sei se me vesti sozinho, ou se ele me ajudou. É o único momento da noite que de fato não me lembro. Depois ele me disse que era melhor eu dormir no sofá, e me entregou a manta que eu estava coberto naquele momento.
Fiquei ali, rememorando todos os detalhes daquela transa. A primeira vez é romantizada demais. Até quando falam sobre as dores que a acompanham, tudo é visto de forma libertadora. Não havia sido nada daquilo para mim. Não havia sido boa, nem havia tido um significado especial. Continuava me sentindo tão viado naquele momento quanto me sentia antes, só que com dores por todo o corpo. Comecei a me perguntar se aquela sensação de fracasso não havia sido por causa de como a transa terminou; ou porque eu estava me sentindo mal depois de ter visto Pitt e Rouge juntos; ou se não porque eu havia perdido a virgindade no mesmo dia que o BV, e é preciso haver um tempo entre essas duas coisas, acho.
“Mas olha só quem tá aí!” Disse Mika, ao me ver deitado de olhos abertos no sofá, olhando para o nada. Sentou-se aos meus pés. “Me conta! Como foi?” Indagou apreensiva, com os olhos vermelhos e um pouco inchados.
“Ah, foi bom…”
“Hmm…” Deu um sorriso decepcionado. “Que bom…”.
Ficamos em silêncio ali parados durante alguns segundos.
“Meu Deus!” Saltei do sofá.
“Que foi?!”
“Esqueci de avisar meus pais que eu não voltaria pra casa! Minha mãe deve ter surtado!”



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